A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 28/06/2021
No livro “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata o nordeste brasileiro que sofre não somente com a seca, mas também com a fome. Podemos analisar na obra o perfil psicológico das personagens cujos pensametos são majoritariamente compostos por sonhos e ausência de raciocínio lógico. Fora do universo fictício, a fome se alastra por todo o território nacional por consequência da concentração de renda e da propriedade produtiva, além de deficientes políticas públicas inclusivas que estimulem a assistência social e educacional.
Primeiramente, devemos ter em mente os traços históricos que guiam a classe média e, principalmente, da elite brasileira. Fomos colonia de exploração permeada pela pensamento extrativista, escravocrata e latifundiário. Podemos analisar traços desses pensamentos nos excessos de exportação dos produtos agrícolas, na concentração de terras nas mãos de poucos e em supersalários tanto no setor público, como na iniciativa privada. Por conseguinte, tais desigualdades geram, no âmbito social, uma população faminta e, na seara econômica, enfraquecimento principalmente do setor comercial, uma vez que poucas pessoas detêm poder de compra.
Ademais, o omissão do poder público no fornecimento de educação e assistência social de qualidade coibe a aquisição das características necessárias pelos indivíduos (dependentes do Estado) a fim de atender às expectativas patronais. A carência do básico raciocínio lógico formal, como observado nos personagens de “Vidas Secas”, ocorre por negligência estatal. Assim, os marginalizados ficam a mercê dos seus instintos como nos primórdios em que a caça e a fome andavam lado a lado.
Em suma, a fome deriva da desigualdade social e ausência estatal. O poder executivo, por meio de fomento e imunidade tributária, deve incentivar entidades educacionais e de assistência social a fim de proporcionar educação, alimentação e lazer. Somente assim, todos terão condições de compreender o seu redor e sair do inferno da ignorância e escassez retratada em “Vidas Secas”.