A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 30/06/2021
Na tese “Cidadão de Papel” do jornalista Gilberto Dimenstein, o autor define o termo como o indivíduo que, embora detenha seus direitos constitucionais, não os usufrui devido a desinformação por parte da população e pela inadimplência da esfera governamental. Nesse sentido, essa definição pode ser aplicada em diversos contextos nacionais, como a questão da fome no Brasil que, embora o direito à alimentação seja uma garantia do cidadão, a ineficiência do estado associada a uma cultura de aceitação por parte da população, faz com que uma parcela desta tenha sua cidadania limitada.
Em primeira análise, é importante destacar que a ineficiência do estado em aplicar leis que garantam a alimentação democrática dos brasileiros é um dos fatores que impulsionam a fome no Brasil. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território com dimensões continentais, seja pela falta de investimentos do governo, uma parcela significativa da sociedade tem enfrentado a fome em solo nacional. Essa conjuntura, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, ja que o estado não cumpre sua obrigação constitucional de proteção que todos os cidadãos brasileiros tenham acesso a alimentação de qualidade.
Ademais, faz-se mister saliente que a cultura de aceitação por parte dos cidadãos brasileiros impulsiona a questão da fome no Brasil. Isso ocorre porque as escolas brasileiras estimulam uma educação tecnicista, na qual o senso crítico não é estimulado. No livro “Vidas Secas” do romancista Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detinham do sabre. Nesse viés, sendo a arte uma mera reprodução da realidade, a parcela populacional que aceita as precaridades sociais impostas pelo estado, pode ser comparada a Fabiano. Sob essa ótica, uma vez que a maioria das instituições brasileiras priorizam o conhecimento técnico em detrimento da construção social do indivíduo, a conformação com as mazelas sociais, como por exemplo a fome, tende a perpetuar.
Infere-se, portanto, que a questão da fome no Brasil é um tema que carece de medidas imediatas. Sendo assim, cabe ao Governo Federal direcionar verbas para ongs especializados em doações de alimentos em regiões que têm altos contingentes de carência alimentícia, por meio de um projeto nacional contra a fome, um fim de garantir que todos os cidadãos tenham acesso a alimentação de qualidade . Além disso, cabe ao Ministério da Educação - Orgão responsável formação civil do brasileiro - promover palestras em escolas brasileiras, por meio de profissionais capacitados, conscientizando os indívios sobre seus direitos, com o objetivo de mitigar inadimplências sociais, visto que, de acordo com o artigo 5 ° da contituição federal de 1988, a alimentação é uma garantia do cidadão.