A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/08/2021

Em 2020, um único brasileiro declarou ter recebido a quantia de R$ 1,3 bilhão em lucros e dividendos livre de impostos, de acordo com dados públicos divulgados pela Receita Federal. Enquanto isso, são 19 milhões de brasileiros em situação de fome no Brasil, segundo dados de 2020 da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan). Logo, vê-se que a questão da fome no Brasil é fundamentada tanto na desigualdade social quanto na irresponsabilidade governamental.

Nessa perspectiva, cabe ressaltar que, na pirâmide social-tributária do Brasil, de acordo com os dados da Receita, quanto mais rica for a pessoa, maior será a parcela da renda que permanece isenta. Em contrapartida, a população que não é privilegiada financeiramente é obrigada a pagar valores elevados de impostos. Nesse âmbito, levando em consideração que o salário mínimo do brasileiro não é um valor confortável para, por exemplo, uma família de 5 pessoas viver, percebe-se um dos fatores motivadores da fome no Brasil: vulnerabilidade econômica. Nesse viés, evidencia-se cenas como a reportada pelo progama Fantástico, na qual cuiabanos estavam em uma fila a espera de retalhos de carne em ossos.

Outrossim, vale descatar que, de acordo com o contratualista John Locke, a sociedade cria o Estado, por meio de um contrato social, para que esse assegure a ela seus direitos. Entretanto, analisando os 19 milhões de brasileiros que não tem o que comer e a cena da “fila do osso” em Cuiabá, nota-se que o governo brasileiro é irresponsável e provedor da fome no país, uma vez que, enquanto uns passam fome, outros, que lucram milhões de reais, são isentos de impostos.

A falta do que comer para uma parcela significativa da população do Brasil é, portanto, pautada na exclusão e desigualdade socioeconômica e urge de medidas que mitiguem o cenário da fome. Para isso, cabe ao Governo Federal dar maior poder de compra aos brasileiros, por meio do aumento do salário mínimo e de auxílio financeiro para todos os milhões de cidadãos que estão sem comida. Dessa forma, para que tais ações ocorram, os recursos devem vir da taxação de impostos dos mais ricos. Espera-se, dessa maneira, combater a questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores, ao dar uma condição financeira digna a milhões de indivíduos e diminuir a desigualdade social, na qual um único brasileiro possui a quantia financeira que alimentaria milhares de pessoas.