A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 01/07/2021
A erradicação da fome no mundo era um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU que deveriam ser concluídos até o ano de 2015 em todo o globo. Entretanto, em 2021, pode-se perceber que entre os inúmeros países incapazes de cumprir tais metas, especialmente a que diz respeito a má alimentação, está o Brasil. Nesse contexto, é possível verificar que o país apresenta dificuldades em solucionar os fatores motivadores da problemática, como a defasagem dos programas de transferência de renda e a falta de políticas públicas de combate à desnutrição.
Sob esse viés, a utilização de dados desatualizados para auxílios governamentais é um dos aspectos causadores da perpetuação do problema. Ao passo disso, foi cancelada a realização do Censo Demográfico de 2021, o que cria ainda mais empecilhos para a revisão das informações. Portanto, a terminação da proposta da coleta de dados, tradicionalmente feita pelo IBGE, resulta na precarização de programas sociais, como o Bolsa Família que tem como uma de suas funções garantir o direito à alimentação. Assim, a fragilização de políticas comuns por meio da inexatidão de conhecimentos contribui para a perpetuação da fome no país.
Outrossim, a desestruturação de medidas governamentais relacionadas à guerra contra a fome também é responsável pela questão. Nesse contexto, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi extinto no dia 01 de Janeiro de 2019. Nesse sentido, foi fechado o principal canal de diálogo e vocalização de demandas concretas relacionadas ao tema, assim prejudicando a participação popular, tida como estratégia essencial para a resolução da conjuntura. Dessa forma, a atuação do povo se vê invalidada pela dissolução de órgãos de tal função, o que dificulta o combate à insegurança alimentar.
Em suma, a fome no Brasil é decorrente dos programas sociais desatualizados e da insuficiência de políticas públicas. Sob essa ótica, faz-se necessário que o Ministério da Cidadania reformule as estratégias de auxílio governamental por meio de decretos assinados pelo Presidente da República. Isso deve ser feito com o objetivo de ampliar o número de famílias contempladas, além de reajustar os valores dos benefícios pagos atualmente, o que representará maior eficiência no gasto do dinheiro público.