A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 30/06/2021

A questão da fome no Brasil é muito problemática e por isso, seus fatores motivadores urgem debate. Nesse sentido, a Constituição Federal brasileira de 1988 define que a alimentação é um direito social de todos os cidadãos, sem qualquer distinção. Entretanto, nota-se no Brasil que tal regalia é negligenciada à grande parcela da população, que se encontra em situação de fome. Dessa forma, indivíduos apresentam empecilhos no desenvolvimento físico, psicológico e social, pois a energia proveniente dos alimentos, crucial para a execução de tarefas, não é obtida. Portanto, é necessário analisar as causas dessa adversidade: a má distribuição de terra e o espírito egoísta do povo brasileiro.

Sob esse viés, é preciso discutir a distribuição desigual de territórios brasileiros. Em verdade, a concentração de propriedades na mão de poucos teve início no Brasil colonial, momento da história em que os senhores de engenho detinham todo o poder das áreas produtivas agricultáveis. Por conseguinte, ao longo da cronologia brasileira, perpetou-se o padrão de acúmulo de terras sobre domínio de uma pequena parcela do corpo social, por hereditariedade ou poder de compra. Logo, a população pobre necessitada não consegue cultivar alimentos para subsistência e nem comprar, devido ao valor agregado dos produtos e dos ambientes. Sendo assim, em razão da dificuldade de obter uma região para plantio, diversos cidadãos ficam sujeitos à fome.

Ademais, outro aspecto relevante a ser abordado é a falta de empatia popular. Isto posto, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, definiu a “Modernidade Líquida” que caracteriza as relações sociais atuais como frágeis e supérfluas, dado que há um foco em atender aos interesses pessoais. Desse modo, os indivíduos não se solidarizam com a situação dos outros, porque só se importam com questões que concernem ao seu círculo pessoal. Nessa perspectiva, no que tange a alimentação dos necessitados, a doação e divisão, por parte dos que tem acesso à comidas e verba, fica em segundo plano, pois tais pessoas não colaboram com a causa. À vista disso, a situação da fome é reforçada no Brasil e medidas devem ser tomadas para revertê-la.

Nessa conjuntura, conclui-se que a concentração fundiária e o individualismo são propulsores da fome no Brasil. Em suma, é necessário que o Ministério da Agricultura promova uma reforma agrária, por meio da redistribuição de terras improdutivas que deverão ser doadas aos necessitados, que poderão produzir para uso próprio e venda. Assim, a concentração de terras será sanada. Em segunda instância, é preciso que o Ministério das Comunicações divulgue campanhas solidárias, por meio de canais televisivos e redes sociais. Outossim, deverão circular iniciativas de cunho público e privado, com objetivo de ajudar mais pessoas. Dessarte, ocorrerão mais doações e os carentes serão apoiados.