A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 29/06/2021

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a todos o direito à alimentação. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido com tanta ênfase na prática, e a questão da fome tem sido uma realidade. Sob essa ótica, a desigualdade social, bem como o desperdício de alimentos, são fatores preponderantes para o desequilíbrio na sociedade.

A princípio, é importante ressaltar que a desigualdade no Brasil traz inúmeras consequências, sendo esse problema um fator estrutural. Posto isso, em 1850 foi sancionada a Lei de Terras no governo imperial, com o objetivo de limitar o uso das terras apenas para os ricos. Por conseguinte, houve uma desproporção territorial, e as terras ficaram nas mãos de poucos, o que aumentou ainda mais a questão da fome. Hodiernamente, a situação continua a mesma, de acordo com o IBGE, em 2019, cerca de 10,3 milhões de pessoas passam fome, sendo algo enraizado no país.

Ademais, convém salientar o aumento crescente do desperdício de alimentos. Nesse aspecto, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cerca de 20 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente no Brasil. Percebe-se que o problema não é a produção, mas o que se faz com tanto produto, tendo em vista que o individualismo é um fator primordial para esse desequilíbrio, pois enquanto alguns passam fome, outros tem a possibilidade de ajudar, mas preferem jogar no lixo. Logo, é necessário que a empatia social seja trabalhada, a fim de conseguir enxergar a necessidade do outro e ajudar naquilo que é possível.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver a questão da fome. Em vista disso, cabe ao governo, como instância máxima da esfera executiva, investir em políticas públicas destinadas a áreas carentes, como ofertas de emprego para que as famílias possam se sustentar e sair do estado de calamidade, ainda mais, ofertar infraestrutura, saneamento básico, cestas básicas, por meio de verbas públicas e doações da população. Por fim, faz-se necessário que o setor educacional ensine nas escolas sobre empatia, alteridade, companheirismo e ajudar as pessoas que precisam, além de abrir espaço para os centros escolares receberem doações que serão distribuídas semanalmente para aqueles que necessitam.