A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 29/06/2021

No documentário brasileiro Ilha das Flores, lançado em 1989, há uma quebra de expectativa em relação ao nome que evoca algo belo e cheiroso, enquanto que o conteúdo retratado pelo filme mostra a realidade distópica e fétida das famílias que sobrevivem às custas das sobras dos porcos que vivem no lixão. Não distante da realidade brasileira hodierna, milhares de pessoas sofrem com os desafios da questão da fome e seus agravantes. Sob essa ótica, a ausência de políticas públicas eficientes e o alto nível de desemprego corroboram para a persistência da problemática.

Convém ressaltar, a princípio, a ausência de políticas públicas como empecilho à consolidação de uma solução. Conforme a Constituição Federal de 1988, no artigo sexto, a alimentação é um direito básico inerente a todo cidadão brasileiro. Nesse sentido, observa-se uma lacuna no dever social do Poder Público em relação a esse benefício uma vez que não há a criação de políticas públicas eficazes para o combate da problemática que assola as camadas mais baixas do corpo social. Nesse contexto, a questão da fome no Brasil perpetua-se de maneira concreta e torna-se cada vez mais intrínseca da sociedade com menor poder aquisitivo.

Outro ponto relevante nessa temática é o alto nível de desemprego. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, somente no ano de 2021 cerca de 14 milhões de pessoas encontram-se em situação de desemprego. Dessa forma, a ausência de trabalho afeta de maneira direta a alimentação de milhares de famílias brasileiras uma vez que não possuem condições financeiras suficientes para adquirir comida. Nessa ótica, tais famílias são obrigadas pelas circunstâncias adversas a procurar formas não convencionais e degradantes para a obtenção de alimentos como observa-se nas cenas retratadas no documentário Ilha das Flores. Assim, a realidade brasileira afasta-se cada vez mais da proposta pela Carta Magna.

Portanto, visto a ausência de políticas públicas eficientes faz-se necessária uma intervenção. O Ministério da Cidadania, em conjunto com ONG’s especializadas, deve promover ações que revertam a ausência de políticas públicas voltadas para o combate à fome. Tais ações devem ser desenvolvidas por meio da criação de campanhas que visem a distribuição de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade econômica. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para dar visibilidade e identidade a ação, a fim de mitigar a ausência de políticas públicas voltadas para a fome. Além disso, o Governo Federal, como órgão máximo responsável, em conjunto com as empresas nacionais, deve criar mutirões de emprego a fim de diminuir a taxa de desemprego no Brasil. Talvez assim, seja possível construir um país cuja realidade se afaste da Ilha das Flores.