A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 30/06/2021
Metáfora no romance “Vidas Secas”, de Graciliano, a reificação —processo que consiste em tratar pessoas como objetos— é a linguagem do cotidiano. Com embasamento nisso, é fato que, no brasil, a fome corresponde a tal alegoria, uma vez que desigualdades históricas e interesses políticos compactuam com essa realidade em seus aspectos mais subjetivos.
A princípio, a sociedade contemporânea é pautada em heranças históricas. Em face disso, desde o período colonial, a elite —ricos, senhores do engenho e europeus— detentora do prestígio social, como o poder de consumo, já constituía um sistema classista e repressor, a partir do qual o cidadão periférico era submetido à escassez e à necessidade. Sob esse viés, é possível depreender que o manifesto desigual de direitos básicos leva à negligência, quase total, de grupos sociais menos favorecidos. Dessa forma, como fruto dessas circunstâncias hierarquizadas e omissas, conservadas pela desigualdade, a segregação econômica enuncia a fome.
Ademais, ao relacionar a maneira precária como diversos indivíduos são tratados com os interesses capitais, fica nítido os interesses do Estado em perpetuar o panorama supracitado. Nesse sentido, a autora Brown, no livro “Nas Ruínas do Neoliberalismo” disserta que os representantes políticos, dentro de uma lógica neoliberal, priorizam pautas que protejam e garantam as necessidades do grande capital, visto que somente por meio dessa postura as instâncias públicas conseguirão perpetuar-se no controle da sociedade. Desse modo, o fisiologismo governamental fomenta a infração de uma escala de direitos previstos na Constituição Federal de 1988, como o direito à alimentação.
Entende-se, portanto, que a fome presente no cotidiano de muitos brasileiros é fruto de um processo elitista e político que lhes é concedido. Nesse contexto, com intuito de superar tal realidade, é preciso isto: que o Estado, por meio da verba pública, utilize o Ministério da Cidadania para elaborar um sistema de vales de alimentação, os quais hão de alcançar as população mais carentes e de facilitar o acesso à comida. Isso poderá ser ocorrer —com maior efetividade— em parceria com as mídias tradicionais e digitais, visto que elas possuem uma alta comunicação com o brasileiro e poderão instruí-lo a como recorrer a esses benefícios. Paralelamente, cabe ao povo pressionar o Poder Executivo a executar tais ações em uma escala nacional para que, então, toda a pátria —por conseguinte— usufrua desse projeto. Feito, será possível transpor a fome, restringindo, assim, a metáfora de “Vidas Secas” à ficção.