A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 30/06/2021
A insegurança alimentar grave é definida pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) como a necessidade inevitável de algumas famílias de pular, diminuir ou substituir refeições devido à ausência de alimentos. Diante disso, infelizmente, essa realidade faz-se presente no Brasil, tendo em vista a preocupante questão da fome que assola parte da população. Dessa forma, é necessário analisar as motivações decorrentes das desigualdades sociais nessa situação e a responsabilidade governamental nessa problemática.
Em primeiro lugar, destaca-se o diferente impacto da insegurança alimentar em camadas sociais distintas. De acordo com os dados de 2021 do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, a fome atinge, respectivamente, 13,8% e 18,1% nas regiões Nordeste e Norte, enquanto as regiões Sul e Sudeste registram 6% de domicílios. Nessa perspectiva, é perceptível a assimetria das consequências da fome em decorrência dos desequilíbrios já existentes no país, o que é causada pela despreocupação brasileira em relação a grupos sociais específicos e pela alta valorização de outros. Dessa maneira, é notório que os ideais segregatícios regionais acirram o combate à falta de alimentos.
Ademais, outro fator agravante da fome é a ineficácia de ações estatais. Assim, destaca-se o Auxílio Emergencial – medida adotada desde 2020 – que, em 2021, reajustou seus valores de 600 a 1200 reais para 150 a 350 reais. Entretanto, esse reajuste foi inversamente proporcional à alta inflação do período e, consequentemente, os lares brasileiros tornaram-se cada vez mais assolados pela incerteza alimentar, visto a necessidade de escolher, muitas vezes, em usar o dinheiro para prioridades que vão além da alimentação, como os aluguéis domiciliares ou a compra de medicamentos. Por isso, torna-se cada vez mais comum a insuficiência dos mantimentos alimentícios.
Portanto, há a necessidade de mudar o cenário da fome no Brasil. Para tanto, é papel do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome a elaboração de um projeto de distribuição de comidas essenciais para pessoas em situação de risco. Isso deve ocorrer por meio da destinação de verbas públicas à compra de alimentos e da montagem de cestas básicas, que variem seu tamanho de acordo com a quantidade de pessoas da moradia e, também, sua especificidade, tendo a alteração e o oferecimento de nutritivos exclusivos àqueles que têm necessidades especificas. Feito isso, espera-se o pleno abastecimento de diversas casas e o afastamento do conceito de insegurança alimentar definido pela EBIA.