A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 18/07/2021

O lucro ou a fome?

A partir da década de setenta, no contexto de ditadura militar e guerra fria, deu-se início à “revolução verde” no Brasil - período do qual expandiu-se a fronteira agrícola através de incentivos governamentais, financiamento de multinacionais e comércio de novos pacotes tecnológicos. Todavia, a mecanização na produção fundiária gerou uma massa de desempregados que migrou para as margens dos centros urbanos, elucidando que a produção alimentícia no sistema econômico vigente, o capitalismo, descumpre a função de alimentar a todos em prol da lucratividade dos latifundiários.

Segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, em 2020, aproximadamente 19 milhões de pessoas passavam fome no Brasil, tal conjuntura é subsequente não apenas da crise econômica que foi intensificada com a crise sanitária da Covid-19 - que impossibilitou grande parcela da população de se alimentar adequadamente com o aumento do desemprego, assolando 14.7 milhões em 2021 segundo o IBGE - Índice Brasileiro de Geografia e Estatística -, mas também por um fator mais estrutural que já persiste em manter elevados números de famintos no Brasil há muito mais tempo, sendo ele o sistema de produção do agronegócio. Ou seja, a produção em larga escala de commodities voltados para a exportação, ocorre de acordo com os interesses de acumulação de mais-valia dos proprietários dessas atividades econômicas rurais e não porque a produção está exclusivamente voltada para alimentar a população do respectivo país, nesse caso, o Brasil.

Além disso, tal condição se impõe pela ausência de um planejamento estatal da produção, com capacidade de controlar o que for produzido, de acordo com as reais necessidades da população. Exemplo da necessidade disso, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, o Brasil exportou comida para mais de 180 países, enquanto no Brasil há dados alarmantes em relação à fome, como comprova o dado supracitado do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar.

Em suma, é evidente a necessidade de se reorganizar o sistema de produção: nacionalizando setores estratégicos da economia, entre eles a indústria alimentícia e os latifundiários que ocupam terras cultiváveis. A partir daí, planificando a distribuição dos alimentos para restaurantes públicos, instituições de ensino e espaços de alimentação nos locais de trabalho, a fim de garantir que a população tenha acesso a cinco refeições diárias - como recomendado pela Organização Mundial da Saúde.