A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 02/07/2021
Ao longo da história, a prática alimentar sempre costituiu papel definitivo do que representava a espécie humana no seu meio. A exemplo disso, toma-se a Revolução Agrícola, que, tendo acontecido há centenas de séculos, configurou não só um momento de maior controle de técnicas agrícolas pelo ser humano, como também inaugurou uma nova fase civilazatória na Terra. Entretanto, apesar desse caráter notório no passado, a alimentação tem sido seriamente negligenciada no Brasil hodierno, em especial no que tange à escassez de provisões. Tal descuido é efeito direto da má distribuição de alimentos, bem como da falta de inserção de regiões semiáridas na agricultura, dois aspectos que devem ser cuidadosamente analisados.
Primeiramente, cabe analisar a má repartição dos alimentos como aspecto essencial que leva à fome. Segundo o economista Thomas Malthus, a população mundial cresceria em ritmo intenso, que rapidamente superaria toda a provisão de comida. Desse modo, seria improvável que houvesse o que comer para todos, uma vez que seria natural essa discrepância de números. Contudo, o cálculo feito pelo economista incidiu no erro de desconsiderar o desenvolvimento da tecnologia na agricultura. Assim sendo, não é a produção de víveres que é insuficiente, mas sim a sua distribuição, que, segundo a FAO, não atende de forma igualitária a toda a população mundial.
Ademais, é alarmante o uso pouco produtivo de terras em regiões semiáridas no território nacional. Nesse sentido, é relevante salientar a ineficiência de algumas tentativas de atenuar os efeitos da seca no Semiárido brasileiro. Durante o governo de Juscelino Kubitschek, foi criada a Superintendência do Nordeste, órgão que visava alavancar a economia da região através de sua atividade agrícola, atenuando os efeitos da seca. No entanto, a superintendência não logrou sucesso devido à má gestão do repasse de verba, o que gerou uma das mais famosas cenas da literatura brasileira: retirantes nordestinos que, fugindo da fome e da seca, buscavam por regiões mais desenvolvidas, como é narrado no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
Tendo tudo isso em conta, percebe-se que é de suma importância que medidas de alcance de todo o território nacional sejam tomadas. Assim, caberá ao Estado, por meio do seu Ministério da Agricultura, a promoção de um novo programa de combate à fome, cujas premissas serão baseadas no investimento agrícola em regiões semiáridas e regulamentação do repasse igualitário de víveres entre todas os municípios brasileiros. Desse modo, serão de igual importância a transposição de rios para regiões nordestinas e o papel das prefeituras na produção e controle do que é repassado para as instituições municipais. Assim, muito se fará para que o impasse da fome seja extirpado.