A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 04/07/2021

A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o acesso irrestrito à alimentação. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, haja vista que, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de dez milhões de brasileiros passam fome no país. Esse cenário nocivo ocorre não só em razão da falta de empatia do corpo civil, mas também devido a políticas públicas ineficazes do Estado.

Em primeiro plano, é relevante destacar o alheamento da sociedade frente ao combate à fome no país. À vista disso, no livro “O poder da empatia”, o filósofo australiano Roman Krznaric traz a empatia como a arte de se colocar no lugar do outro para mudar o mundo. Seguindo essa linha de pensamento, tendo em vista os abismos socioeconômicos existentes no Brasil, a camada detentora de maior poder aquisitivo, a qual tem acesso à alimentação de forma digna, infelizmente, se abstrai na luta contra a insegurança alimentar, por egoísmo e indeferença à população vulnerável. Nesse sentido, é notório que há um desarranjo do corpo civil no combate à desigualdade social, já que a esfera mais abastada poderia usar seu poder de voz para atrair visibilidade na problemática. Assim, torna-se mais árduo alcançar um mundo mais justo, consoantes às ideias de Krznaric.

Além disso, vale destacar, também, a ausência de medidas governamentais efetivas para assegurar o acesso de refeições dignas a toda população, independente de região ou classe social. Sob essa ótica, segundo o jornal BBC, desde 2013, investimentos federais em programas alimentícios caíram forma progressiva. Desse modo, nota-se que, por se tratar de uma nação que presa pela democracia e por direitos iguais a todos os cidadãos, o Brasil tem se comportado de forma oposta a seus princípios constitucionais. Tem-se, então, o negligenciamento dos indivíduos desamparados e, consequentemente, o aumento das injustiças e desigualdades, dado que o Estado não cumpre seu papel de amenizar as mazelas sociais.

Verifica-se, portanto, a necessidade de ações interventivas eficazes para cessar a fome no país. Para isso, a escola, como agente formador do senso crítico dos indivíduos, deve, por meio de debates e palestras, junto aos pais e entidades filantrópicas, mobilizar e suscitar, no corpo social, o desenvolvimento da empatia e de visão crítica a respeito da fome e da desigualdade na nação. Dessa maneira, será possível que haja engajamento social na luta contra a fome. Paralelamente, cabe ao Governo Federal, mediante a sólidos investimentos, dispor de recursos financeiros a projetos de combate à fome e de redistribuição de renda à esfera vulnerável, a fim de diminuir desigualdades socioeconômicas e garantir alimentação digna a todos os cidadãos.