A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 06/07/2021

“Meu Deus, por que o meu sertão é tão castigado? Morre o algodão e já não tem mais gado e morre as crianças de fome também”. Nesse trecho da música “Lamento sertanejo”, do cantor Zezo, evidencia-se o sofrimento dele em relação à condição de miséria extrema em que vive. De maneira análoga, em pelo século XXI, muitas pessoas passam por situações calamitosas similares em todo o território brasileiro. Nesse sentido, em razão de uma imparcialidade social e de uma inoperância estatal, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.

Diante desse cenário, vale destacar que a indiferença de muitos em relação ao sofrimento de outros é algo que corrobora a perpetuação da pobreza no país. Sob esse ângulo, conforme Hannah Arendt —  filósofa alemã de origem judaica —, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Sendo assim, ao se analisar a forma em que a miséria atua no Brasil, nota-se que, para muitos, ela já é algo natural e, até mesmo, normal, uma vez que diversas pessoas, por estarem inseridas em um forte sistema capitalista, tendem a lutar mais para conseguir o seu próprio lucro à investir em campanhas sociais contra a fome. Assim, um possível caminho para combater a desigualdade é desconstruir o pior entrave da atualidade segundo Arendt: a banalidade do mal.

Ademais, é importante salientar que um Estado omisso é outro forte motivo à desigualdade social. À vista disso, consoante a Constituição federal de 1988, em seu artigo 5º, todo ser humano tem direito à educação, moradia e alimentação. No entanto, ao se observar a realidade nacional, percebe-se que tais direitos só existem na teoria, uma vez que, na prática, a não garantia da alimentação é algo bastante presente, uma vez que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa, mais de 7 milhões de pessoas convivem com a fome no Brasil. Com isso, enquanto a negligência governamental for a regra, a garantia dos direitos básicos à sobrevivência para todos os brasileiros será a exceção.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, modifique o intelecto das novas gerações, por meio de projetos pedagógicos, os quais levem, por exemplo, comida e roupa aos mais necessitados, a fim de estimular, desde cedo, a empatia com o próximo. Além disso, é necessário que o Congresso Nacional, por intermédio do Poder Executivo, crie abrigos, a partir de campanhas nas redes sociais, como no Instagram, que pedirão ao público a doação de utensílios domésticos, alimentos e dinheiro, com o intuito de promover os direitos básicos a todos. Dessa forma, espera-se frear a questão da fome no Brasil e fazer com que o contexto exposto por Zezo seja apenas música e não mais realidade.