A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 18/08/2021
No filme “Divergente”, a sociedade é dividida em cinco facções, nas quais as pessoas devem escolher ficar, mas quem não consegue se adequar à uma dessas facções é um “sem facção”. Nesse contexto, o governo abandona os sem facção e os deixa em miséria e nas ruas da cidade. Paralelo ao filme, no Brasil atual também é possível notar a negligência que o Estado comete àqueles que não fazem parte da elite social, uma vez que não são grandes consumidores, pois são pobres; também existe uma concentração fundiária, o que impede muitas famílias a terem onde morar ou onde plantar, e isso também precisa ser discutido sobre a questão da fome.
A respeito da negligência do Governo aos mais pobres, fica claro que esse é um grande fator da fome no Brasil. De acordo com Aristóteles, filósofo grego, tudo tende ao bem e, por isso, o homem é um animal político, pois a política, ainda de acordo com ele, é fazer o bem a outrem. No entanto, o Governo do Brasil não age em prol das suas camadas mais baixas, pois as pessoas mais pobres são as que mais pagam impostos, de acordo com estudo do IPEA(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2020, logo quem é pobre tende a ficar mais pobre, o que traz inseguranças alimentares, pois fica difícil se alimentar quando os alimentos são tão caros e existem outras dívidas a serem pagas pelas pessoas.
Além disso, a concentração fundiária torna-se um agravante da fome no Brasil, pois impede que as pessoas tenham acesso ao cultivo de alimentos para consumo próprio e até mesmo comercialização. Uma realidade paralela e contrária à do Brasil é a da série “Anne com E”, pois as famílias apresentadas nessa narrativa usufruem de seus lotes de terra para se alimentarem e comercializar umas com as outras. No entanto, o Brasil, infelizmente, não está nem um pouco perto da realidade de “Anne com E”, visto que a maior parte das terras do Brasil se encontram nas mãos de poucas pessoas, pessoas essas que nem usam todas as suas terras, impedindo outras de se libertarem da condição de fome e extrema pobreza.
Portanto, faz-se imperiosa a mudança desse quadro atual. E para isso, os Poderes da União devem, por meio de políticas e leis, reformular a distribuição de impostos do povo brasileiro de acordo com as condições das camadas existentes na sociedade e, também, realizar uma reforma agrária, no intuito de erradicar a fome e a pobreza no país. Sendo assim, os impostos mais altos deveriam ser dados aos mais ricos, e as terras seriam divididas entre os mais pobres para poderem cultivar, além disso, o Governo deveria auxiliar em todos os gastos dessa reforma agrária, desde o aprendizado em cultivo até o cultivo de fato. Somente assim a visão de Aristóteles sobre o homem e a política seria concreta no Brasil e a fome seria amenizada.