A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 06/07/2021

A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6 °, o direito social à alimentação. No entanto, tal prorrogativa não tem tido êxito quando se observa a questão da fome no Brasil. Diante disso, faz-se necessária uma análise a respeito de dois fatores que favorecem esse quadro: o agronegócio predominantemente direcionado à exportação e a má distribuição de renda no país.

A princípio, tendo em vista a supervalorização do dólar em relação ao real, o agronegócio, ao predominar a exportação, encarece os produtos alimentícios. Segundo o economista Marcelo Neri, “o morador do campo é o mais pobre, é o que produz alimentos, mas não ganha o suficiente para comprá-los”. Sob essa ótica, entende-se que trabalhadores rurais recebem poucos reais pela produção de alimentos que futuramente serão vendidos por muitos dólares pelas indústrias. Então, ao passo que a maior parte dos produtos agrícolas brasileiros é objeto de exportação, priorizando apenas o lucro das grandes empresas, o acesso da população rural e mais pobre ao direito básico à alimentação é impossibilitado.

Além disso, é fundamental apontar a desigualdade econômica devido à concentração de riqueza no país. De acordo com uma pesquisa feita em 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em cerca de 2 milhões de domicílios, pelo menos uma pessoa passou um dia inteiro sem comer devido à falta de dinheiro. Diante de tal exposto, é fato que a falta de distribuição de renda pelo governo acentua os casos de insegurança alimentar - leve, moderada ou grave - no Brasil. Nesse aspecto, nota-se a perpetuação da desigualdade social, tendo como consequência a fome e a miséria cada vez mais alarmante na sociedade brasileira. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, a necessidade de solucionar esses obstáculos. Para isso, compete ao governo federal investir na agricultura de subsistência e na qualidade de trabalho dos demais trabalhadores rurais. Ademais, cabe ao Estado trabalhar em projetos de distribuição de renda e campanhas de doações de alimentos, contando com a participação solidária da sociedade com a disponibilização de cestas básicas para uma parcela mais necessária da população, a fim de minimizar a fome no país. Dessa forma, faz-se possível a solução de um problema que, ainda no século XXI, mata milhões de pessoas.