A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/09/2021

No filme espanhol “O Poço”, prisioneiros são confinados em uma torre vertical e somente podem se alimentar nos restos de comida do nível superior. Nesse sentindo, a trama explora a disparidade do luxo dos primeiros andares- os quais representam camadas sociais- comparada a miséria dos últimos. Hodiernamente, fora da ficção, o problema da fome no Brasil, em razão da crônica desigualdade social do país e da inércia social em relação a tal adversidade, intensifica-se, favorecendo a institucionalização de uma sociedade verticalmente hierarquizada. Logo, são necessárias ações do Estado e da sociedade na contenção dessa grave injustiça social: a fome.

Em primeiro plano, é imperioso salientar que a escassez alimentar é um empecilho crônico relacionado às desigualdades do país, haja vista que a concentração de recursos nas mãos de uma minoria mantém substancial parcela do corpo social na situação de pobreza e miséria, o que favorece o recrudescimento do número de pessoas em situação de subalimentação. Sob essa ótica, o sociólogo Émile Durkheim institui o conceito de “Estado Patológico”, situação na qual o ambiente patológico, ou seja, em crise, rompe com seu ideal de desenvolvimento, pois um sistema desigual interrompe o progresso do país. Assim, é possivel observar que a atual conjuntura brasileira- na qual o acesso à alimentação é um privilégio de poucos- representa o estado patológico de Durkheim, sendo nociva ao progresso- tão almejado- da nação verde-amarela.

Ademais, é válido ressaltar que, muitas vezes, instituições sociais, como as escolas, permanecem inexpressivas no que tange a fomentar o desenvolvimento de uma consciência crítica e empática quanto a promlemática da fome. A título de ilustração, a questão do desperdício alimentar- ação notadamente individualista e que poderia ser evitada por intermédio da conscientização social- acentua a subalimentação , pois torna o alimento mais caro e inviabiliza o seu acesso por milhares de pessoas. Assim, diante dos fatos apresentados, faz-se urgente uma mudança de postura da população.

Portanto, a fim de reduzir o número de pessoas na situação de miséria e subalimentação e garantir o desenvolvimento nacional, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela promoção de benefícios assistenciais, invista, por meio da reestruturação de projetos antigos, como o Fome Zero, no combate à causa da escassez almentar: as desigualdades do país. Além disso, compete às intituições formadoras de opinião, como as escolas, o dever de promover, por intermédio de verbas, projetos educacionais de esclarecimento acerca dos prejuízos que o desperdício pode causar, principalmente na população financeiramente carente, nos preços dos alimentos. Somente assim, poder-se-á conter essa grave injustiça social e contribuir para que o drama narrado em “O Poço”, seja, em breve, apenas ficção.