A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/07/2021

No livro “Quarto de despejo”, escrito por Carolina Maria de Jesus, é retratado sua vida contundente e sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos, pois não tinha o que comer. Nesse sentido, a obra lançada em 1960 deixa bem claro que essa triste realidade ainda é a mesma, as famílias brasileiras contemporâneas, ainda estão com um alto índice de insegurança alimentar, atingindo cerca de um quarto da população, segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Ademais, é preciso salientar, ainda, que a sociedade atual carece de um grande amparo governamental a respeito de tal assunto.

Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar que José Raimundo Sousa Ribeiro Junior, doutor em Geografia Humana, afirma que “O Executivo e o Legislativo são os responsáveis por discutir o orçamento do Estado para que o Judiciário autorize. Portanto, a fome não está sendo vista como prioridade”. É perceptível, então, que existe uma insigne desconsideração da parte do estado com o ser humano, ocasionando um grande estigma nas familias. Além disso, não se pode esquecer de que, graças aos fatos supracitados, tais indivíduos não recebem nenhum apoio, como, por exemplo, o estereótipo de que todos que não tem o de comer no Brasil são marginais ou escolheram isso. Fica claro, pois, que a questão da fome no Brasil é tratada de forma equivocada, ferindo a população.

Em segundo lugar, ressaltar que há, no Brasil, uma evidente falta apreço as famílias “esquecidas”, na qual vivem na esperança de que o outro dia será melhor, é verídico.  Desse modo, é lícito referenciar a escritora Carolina Maria de Jesus, que em sua obra “Quarto de despejo”, narrou sua realidade em um dos parágrafos, dizendo que não tinha nada para comer e queria convidar seus filhos para se suicidar juntamente com ela, porém desistiu, pois olhou para eles e ficou com dó ao vê-los cheios de vida, mas lembrou que quem vive, precisa comer. Logo, é notório que, em situação análoga à mensagem abordada, os brasileiros, sem nenhum caminho a ser percorrido além da possível morte precoce, vivem na escuridão, isto é, a própria ignorância da legislação, dissemina atitudes corruptas.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe ao Poder Executivo, forte ferramente de governar o povo e administrar os interesses públicos e atuador em cumprir fielmente as ordenações legais do direito de cada cidadão, pode, por meio de verbas governamentacionais, levar mais empregos dentro dos bairros ainda vuneráveis, como também, oportunidades de formação aos cidadões, trazendo cursos profissionalizantes e para as mulheres que quisessem tirar uma renda extra, cursos de costura, pintura e croche. Espera-se, com essa medida, que o estigma associado a questão da fome no Brasil seja paulatinamente erradicado.