A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/07/2021

No romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, a personagem baleia - nome metafórico para descrever a escassez do local - personifica a desigualdade sofrida pela família que a acompanha ao decorrer do conto, demonstrando que homens e animais são comuns no que se refere às necessidades básicas para a qualidade de vida. De maneira análoga, a fome no Brasil é uma realidade, o que procria miserabilidades no conjunto familiar de cidadãos brasileiros. Essa problemática é ocasionada pela precária distribuição de renda, bem como pelo inadequado planejamento de políticas alimentares - dentro delas a exportação de produtos do país.

Em primeiro plano, a partilha monetária no país produz a concentração de renda, o que agrava os motivadores da fome no país. Pode-se verificar tal fato na pintura “Os Retirantes”, de Cândido Portinari, na qual a composição e a imagem descrevem uma família em situação de extrema necessidade, além de que uma delas caracteriza um corpo faminto, produzindo o rosto degenerado pela fome, abandonado em um sertão solitário. Nesse sentido, a arte de Portinari ainda permanece como descrição do país, pois a renda é ineficazmente repartida no Brasil, o que leva comunidades a perda do poder de consumo, o que prejudica garantias básicas - como a alimentação. Assim, cada vez mais a coletivade tranforma-se em retirantes sujeitados a perda da qualidade de vida.

Ademais, a organização política de leis que poderiam auxiliar no decaimento da fome são ineficazes, visto que o país possui um passado histórico ligado à demandas do comércio internacional, retirando a relevância do consumo interno- como no período econômico do café no país durante o século 19 e 20. Sob essa ótica, a visão lucrativa colocada no plano econômico do país prejudica continuamente às famílias do Brasil, posto que não são assegurados o desenvolvimento adequado desse setor para comunidades no país, o que resulta na visão do grande produtor de alimentos com a adversidade da fome presente.

Portanto, cabe ao Ministério da Economia em conjunto com organizações legisladoras, por meio de incentivos fiscais e criações de leis, destinar parte dos lucros obtidos com a exportação alimentar no país para regiões que enfrentam o prejuízo alimentício,  tendo como meio de obtenção, os impostos, que serão cobrados dos produtores rurais - que participam de ativade exportadora - mensalmente, a fim de prover condições necessárias para o desenvolvimento de crianças e adultos no país que enfrentam a questão da fome. Dessa forma, enfim poderá distanciar os motivadores da fome e excluir as famílias no Brasil do reflexo do romance de Graciliano Ramos.