A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/07/2021

A fome sempre esteve presente na realidade mundial, principalmente nos países sub-desenvolvidos. No Brasil, chegou após o final da segunda guerra, a chamada Revolução Verde. A Revolução Verde se apresentou como uma ótima alternativa para a solução da fome no país. Revolução essa que consistia em inovações tecnológicas para a melhora da produção agrícola. A partir dela houve um aumento na produtividade das lavouras, assim aumentando o número de alimentos no país, porém,  50 anos depois ainda temos altos índices de fome. Portanto, esse fato demontra como a fome no Brasil não é decorrente da falta de alimentos, mas de uma desigualdade, da má distribuição dos mesmos.

Logo, nota-se que é produzida uma grande quantidade de alimentos, e os mesmo não são utilizados para o consumo, mas sim para a exportação. A partir de 2018, o Brasil passou a ocupar o terceiro lugar como maior exportador agrícola do mundo. Contudo, com um mercado exportador crescendo cada vez mais, o mercado interno do país aparece cada vez mais deficiente. Adicionalmente, mesmo com o mercado interno, representado pela agricultura familiar, possuindo apenas 24% da terras cultivadas do país, o mesmo produz 70% da comida do país.

Portanto, percebe-se que, o mercado interno possui 76% da terras cultiváveis do país. O mesmo se utiliza do sistema agrícola plantation. Logo, a concentração de terras é um fator muito influente na questão da fome nacional. Ademais, nota-se também que o incentivo estatal  está diretamente relacionado com tal desigualdade, pois, o mesmo disponibiliza apenas 14% dos créditos de financiamento do Estado a agricultura familiar. Contudo, os polos do agronegócio se encontram nas regiões com o maior Produto Interno Bruto(PIB) do país, região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e os maiores número de agricultores familiares nas regiões com menor PIB, regiões Norte e Nordeste. Esses fatos demonstram como o agronegócio está aos poucos suprimindo a agricultura familiar, e consequentemente, dificultanto a luta contra a fome no Brasil.

Logo, é fundamental que os agricultores que produzem para o mercado interno recebam mais apoio do Estado. Com esse objetivo, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(Incra), através de uma parceria com o Banco do Brasil(BB), deve lançar um projeto para apoio à agricultura familiar. Nele, devem ser contatatos agricultores beneficiados pelos processos de Reforma Agrária, e oferecidos aos mesmos empréstimos que possam ser somados aos créditos que recebem do Estado. Desse modo, possibilitando que os agriultores familiares possam investir mais em suas lavouras, permitindo aos agricultores que aumentem as suas terras. Assim, será mitigada a concentração de terras no país, como também, facilitará o abastecimento do mercado interno pelos agricultores familiares.