A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 19/07/2021

Em “O Quarto de Despejo”, livro de Maria Carolina de Jesus, a protagonista homônima retrata de forma muito genuína a conjuntura de fome em que vive. Ao narrar suas frutradas buscas por comida para sua família em lixões ou finais de feira, a autora conta ao leitor como é a vida de milhares de pessoas atualmente - uma vez que, apesar de a trama se passar na década de 50, a questão da fome ainda é muito presente na contemporaneidade. Tal afirmação concretiza-se por fatores como o descaso governamental e as disparidades sociais existentes no país.

Sob o mesmo ponto de vista, o território brasileiro abrange extensa área e grande diversidade de fatores climático-botânicos ao longo de suas regiões. Assim, existem condições naturais que permitem a produção de alimentos em larga escala e em quantidades suficientes para todos os cidadãos - o que não ocorre devido à má distribuição dos mesmos.  Erradicar a fome não é uma questão prioritária aos governantes do país, cujas ações acerca do tema acordam majoritariamente com a possibilidade de tributações e boas relações comerciais. Além disso, com a produção em locais mais lucrativos, muitas vezes insalubres e até mesmo em condições análogas à escravidão, a aliança governo-latifundiário ganha força e, concomitantemente, dinheiro - de forma a deixar milhares de brasileiros com fome todos os dias.

Analogicamente, as condições sociais dos indivíduos e a má distribuição de renda estão intimamente ligadas com a questão da fome no Brasil. Pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que as regiões que mais sofrem com a fome no país são também as com piores condições de vida - sendo essas o Nordeste e o Norte. Agravantes como a falta de oportunidades e inserção no mercado de trabalho também motivam exorbitantemente a desnutrição e a insegurança alimentar na qual tantos brasileiros vivem - uma vez que, sem recursos financeiros provindos de um emprego, os indivíduos também não conseguem arcar com as despesas alimentícias. Portanto, os contrastes e a falta de integração inter-regionais similarmente contribuem ao cenário de escassez de alimentos atual.

Dessa forma, pode-se percerber que a questão da fome no Brasil é demasiadamente preocupante, e que a reversão de tal conjuntura torna-se necessária e possível em virtude dos fatores apresentados. Assim, cabe aos governantes brasileiros junto ao Ministério da Agricultura, ao da Economia e ao da Saúde criarem medidas mais efetivas acerca da distribuição de alimentos e de renda no país, através da criação de empregos e melhor sistematização na logística e oferecimento de comida no território. Com isso, a fome poderá ser gradualmente atenuada, e todos terão melhores condições de vida.