A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 20/10/2021

Na obra Vidas Secas, o autor Graciliano Ramos aborda uma família que mora no nordeste que se vê migrar para outra região em busca de comida. Assim como no livro, a questão da fome no Brasil é um tema atual e suas motivações ficam cada vez mais perto da realidade de vários brasileiros. Dessa forma, tal situação deriva de como a sociedade usa da meritocracia para deslegitimar pessoas pobres com discursos inválidos, além da falta de oportunidades educacionais e trabalhistas que a população marginalizada tem para conseguir sobreviver.

Em primeira análise, é notório como a população usa o discurso meritocrático para atacar pessoas desprivilegiadas socialmente. Isso ocorre devido as desigualdades sociais dentro do nosso país, que implica que todos somos iguais e temos as mesmas oportunidades, o que faz com que pessoas de baixa renda se sintam incapazes de conquistar algo, pois não o fazem porque não querem. Consequentemente, essas pessoas acabam adquirindo a depressão, uma vez que não são capazes de conquistar seus objetivos e nem mesmo alimentar suas famílias o que os leva ao suicídio. Esse cenário é comprovado pela pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde, que diz que 75% dos 800 mil suicídios no mundo, ocorrem em países pobres e emergentes.

Ademais, é evidente que a falta de assistência social efetiva para as pessoas marginalizadas também é um dos motivos para a fome no Brasil. Esse quadro deriva da forma como o governo repassa auxílios e administra programas sociais para pessoas carentes, as deixando a mercê de situações insalubres. Como consequência, essa parte da sociedade não tem estrutura financeira adequada para manter suas famílias, e se veem obrigados a roubar alimentos em prol da sua sobrevivência. Um trecho da música Favela Vive 3, ilustra essa lógica a medida que o cantor Djonga nos mostra que seu amigo foi preso roubando manteiga, mas quando saiu da cadeia quis assaltar um banco, o que mostra a falta de efetividade não só dos auxílios recebidos, como também da administração de presídios.

Logo é perceptível que o uso da meritocracia para deslegitimar pessoas na extrema pobreza e a forma como o governo não da assistência para pessoas marginalizadas é um problema. Para reverter esse quadro, se vê necessária a intervenção do Ministério da Fazenda, e do Ministério da Educação a fim de ampliar projetos sociais pré existentes, para suprir de forma efetiva as necessidades da população marginalizada e criar serviços e escolas técnicas de qualidade dentro das periferias, como aumentando o crédito dos projetos como bolsa família, e do Ministério da Educação fornecer de forma mais direta locais de profissionalização em periferias onde esses não chegam. Assim, com essas medidas será possível minimizar e até mesmo reverter o quadro de pobreza e desigualdade do país.