A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 19/07/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, assegura o direito à vida, logo, o direito à alimentação adequada, uma vez que esse fator é imprescindível para a sobrevivência humana. Entretanto, no Brasil, a erradicação fome ainda é um grande desafio para o país. À vista disso, faz-se necessário analisar as causas desse problema, respectivamente: a crise econômica e a má distribuição de alimentos.

Nesse contexto, os impactos da pandemia do Coronavírus não se circunscreveram apenas na saúde pública, mas na economia, haja vista o aumento expressivo nos índices de pobreza e desemprego. Nesse viés, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre 2020 e 2021, o número de pobres saltou para de 9,5 milhões para 27 milhões. Isto posto, é notório que a crise econômica dificulta a camada mais pobre da população para manter uma alimentação adequada, visto que, além do desemprego, a inflação causada pela crise aumentou o preço dos alimentos essenciais. Dessa forma, evidencia-se que um dos principais impulsionadores da fome no Brasil é a pobreza.

Além disso, de acordo com uma pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, em 2020, 19 milhões de brasileiros passaram fome. Entretanto, segundo a Organização Mundial da Saúde, a obesidade é a segunda causa de morte no mundo. Portanto, é evidente que um dos fatores motivadores da fome não é a falta de alimentos, mas a sua má distribuição que, por sua vez, é uma consequência da concentração de renda, pois, diferente dos mais favorecidos economicamente, a camada mais pobre da população não possui renda suficiente para a compra de alimentos. Por conseguinte, é clara a importância de políticas para combater a desigualdade econômica e, assim, a fome no Brasil.

Sendo assim, diante dos fatos supracitados, urgem medidas para solucionar esse problema. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social promover a segurança alimentar no Brasil por meio de um programa de assistência social que possa mapear e cadastrar a população mais vulnerável e que vise construção, em todas as cidades do país, de postos de distribuição de alimentos e refeições prontas para os mesmos. Assim, cada indivíduo cadastrado poderá receber 5 refeições diárias gratuítas ou uma cesta básica semanal. Destarte, o direito básico declarado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos deixará de ser violado no Brasil.