A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 17/07/2021
Promovido pela Organização das Nações Unidas pela Agricultura e Alimentação (FAO), o Dia Mundial da Alimentação busca promover a solidariedade e trazer atenção para as dimensões dos problemas alimentares em todo mundo. Entretanto, problemas como o desperdício de alimentos em bom estado e a falta de organização quanto a exportação de produtos agrícolas, fizeram com que o Brasil voltasse ao mapa da fome em 2018. A partir disso, é necessário analisar os fatores que influenciam e impedem a sociedade brasileira de possuir uma distribuição adequada de alimentos.
Em primeiro lugar, é necessário compreender a quantidade de alimentos que vêm sendo desperdiçados. Segundo uma pesquisa feita pela Unilever de 2018 em parceria com a ONU, cerca de 61% de toda a população brasileira descarta alimentos em condições perfeitas para consumo. Alimentos esses que poderiam ser transformados em adubos orgânicos, ou usados para alimentar famílias de baixa renda que não possuem condições de comprar sua própria comida, visto que, segundo o IBGE em 2014, entre 2,1 milhões de domicílios, há pelo menos uma pessoa que passou um dia inteiro sem ingerir alimentos, pois não possuem dinheiro para isso. Partindo dos dados, torna-se claro que com um melhor manuseamento dos produtos e mais campanhas solidárias podem diminuir tal problema que se expande cada vez mais.
Em segundo lugar, é importante visar a falta de organização quanto a exportação de produtos agrícolas para o exterior. Um estudo apresentado pelo professor Rolim Dias Aguiar, afirma que o volume de alimentos exportados para fora do país poderia alimentar duas vezes toda a população brasileira. Entretanto, a maioria dos alimentos exportados do Brasil é consumida por animais, sendo esse um dos motivos pelos quais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cerca de 7 milhões de pessoas vivem em situação de “insegurança alimentar grave”, onde há uma falta completa de alimentos. Partindo das pesquisas apresentadas, há uma grande necessidade de mudança quanto a quantidade de alimentos exportada, visto a grande quantidade de cidadãos brasileiros que se apresentam em situações precárias.
Finalmente, tendo em vista os aspectos mencionados, torna-se evidente a necessidade de propostas para reverter a situação. O Governo deve atuar por meio dos Ministério da Agricultura e Comércio Exterior, em busca de diminuir longos transportes de alimentos, evitando o desperdício, além de rever as políticas de exportação, para que parte dos produtos exportados sejam usados para alimentar a população brasileira, buscando diminuir as situações de insegurança alimentar, ainda presentes no país. Dessa forma, a saída do Brasil do mapa da fome se tornará possível novamente.