A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 20/08/2021
A trilogia Jogos Vorazes da autora Suzanne Collins retrata a disparidade das realidades sociais vivenciada entre alguns distritos- estrema miséria- e a capital – sociedade de privilégios. Em paralelo a ficção, a sociedade atual não foge dessa realidade, em evidência para a questão da fome. Entre os fatores que colaboram para esse infortúnio destacam-se a má distribuição de renda e os interesses privados das camadas sociais mais bem sucedidas.
A priori, vale trazer a teoria de Thomas Malthus, o qual afirmava que a população cresce em progressão geométrica enquanto a produção de alimentos cresce em produção aritmética, ou seja, um descompasso que provoca a fome. Cabe analisar, entretanto que a questão da fome no Brasil está mais relacionada com a má distribuição do que com a ausência de recursos. Nesse sentido, com o advindo da revolução verde ocorreu-se um avanço tecnológico na agricultura, alavancando a produção de alimentos exponencialmente de tal forma a ser capaz de suprir a fome de toda a população mundial, e apesar disso, persiste-se a problemática da fome somado, ainda, com a questão do desperdício de alimentos, o qual, de acordo com a União das Nações Unidas, cerca de um bilhão de toneladas de alimentos é desperdiçado a cada ano no mundo.
A posteriori, torna-se necessário perceber os interesses privados de forma a proporcionar a manutenção dessa realidade. Nessa perspectiva, de acordo com o filosofo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Como exemplo, tem-se a questão da seca no Nordeste- região do Brasil onde o problema da fome é mais grave, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)- a qual já deveria ter sido contornada como com a transposição do rio São Francisco, cujo o projeto teve início ainda no Brasil Império, mas que ainda não se concretizou devido as oligarquias regionais que lucram com esse problema.
Tornam-se evidentes, portanto, os entraves referentes as questões da fome no Brasil. Em razão disso, é imperioso que o Estado em parceria a instituições privadas, desenvolva projetos de geração de empregos, por meio de incentivos fiscais e obras do Estado, a fim de proporcional aos cidadãos um maior poder aquisitivo e os libertarem da miséria e da fome, como já garantido na constituição cidadã de 1988. Ademais, é mister que o Ministério da educação e a Mídia crie campanhas de reeducação e conscientização das pessoas sobre a alteridade, por intermédio de palestras e propagandas, a fim de construir uma sociedade que sobreponham os interesses públicos em detrimento dos privados. Sob tais perspectivas, poder fazer da miséria e da fome questões restritas aos cenários ficcionais como no livro Jogos Vorazes.