A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 19/07/2021
É garantido pelo sexto artigo da Constituição Federal o direito à alimentação. Entretanto, a conquista do Brasil em sair do mapa da fome da ONU (Organização Mundial da Saúde) foi o suficiente para relaxar as medidas de combate, não havendo mudança mesmo quando especialistas confrontam o governo com dados alarmantes de pobreza e insegurança alimentar nos últimos 5 anos. Diante dessa perspectiva, tal fato perdura, em grande parte, devido a falta de políticas públicas diante de uma crise econômica e social.
Nesse contexto, segundo o IBGE 10,3 milhões de brasileiro passam fome, sendo proporcionalmente cerca de 20% a mais na região rural. Diante de tal exposto, é inadmissível que esse cenário continue, tanto por ferir a dignidade da pessoa humana quanto pelo país ser o segundo maior exportador de alimentos do mundo, o que alimenta 1/6 da população mundial, de acordo com a Organização Mundial do Comércio, e deixa os próprios cidadões em um estado de insegurança alimentar. Logo, a incapacidade do governo federal em lidar com essa situação, em especial durante a pandemia do novo coronavírus, na qual aumentou ainda mais desigualdade social e criou novos pobres por causa da má gestão, dificulta o alcance de igualdade e justiça à todos.
Outrossim, apesar do agronegócio brasileiro ser grande, a maior parte dos seus produtos são exportados, o que permite que a maioria dos alimentos na mesa do brasileiro seja proveniente da agricultura familiar, cerca de 75%, conforme os dados do IBGE. Porém, esse pequeno agricultor é o mais atindo pela falta de assistência pública, advinda da alta concentração de terras pelos latifundiários, pela limitação dos recursos hídricos e baixa renda que não garante o básico para a sobrevivência. Sendo assim, torna-se difícil viver no Estado brasileiro, pois o pobre precisa exigir o óbvio, uma alimentação segura e balanceada.
Infere-se, portanto, que para haver uma sociedade mais igualitária serão necessárias ações que garantam benefícios a curto e longo prazo. Assim, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Agricultura, investir em planos, como o bolsa família, aumentando a ajuda monetária e para um maior grupo de pessoas, a fim de diminuir os problemas no presente, e desenvolver para o futuro uma reforma fundiária apropriada para a população que quer produzir. A partir disso, garantir-se-á o mínimo para a vida do cidadão brasileiro, a alimentação.