A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 18/07/2021
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a fome como impulsionadora de agruras alimentares, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrisecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de investimento governamental, seja pela inconscientização entrelaçada no disperdício alimentar. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
Primeiramente, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possivel perceber que no Brasil, o descaso do governo perante a questão alimentícia rompe essa harmonia, haja vista que dados apresentados pelo IBGE, uma a cada 20 pessoas tem problemas coma fome, que são estimulados por adversidades financeiras. Isso acontece pela falta de investimento em espaços públicos voltado para subsídio alimentar gratuito, dificultando extremamente a superação desse obstáculo.
Outrossim, destaca-se o disperdicío indevido e corriqueiro que vem sendo alastrado todos os dias como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalizada e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o destino final de grande parte dos alimentos é a lixeira, em que o sujeito responsável pela ação, tampouco sofre ou se importa com a fome na sociedade, interligando isso com a falta de conscientização trazida do lar, piora de maneira drástica o empasse.
É evidente, portanto, que ainda há entrave para garantir a solidificação de politicas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Economia deve disponibilizar uma verba anual direcionada para a a contrução e melhora de centros alimentícios especializados no tratamento da precária condição alimentar em comunidades carentes, promovendo uma democratização alimentar generalizada. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao disperdício alimentar e a fome, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão