A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 19/07/2021

Segundo o Iluminismo, movimento intelectual surgido na Europa, no século XVIII, “uma sociedade só progride quando um mobiliza-se com o problema do outro”. Desse modo, para que essa sociedade seja igualitária e coesa, é necessário que o bem- estar social seja garantido. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, tal doutrina, não é plenamente posta em prática, visto que ainda há desafios para a redução dos índices de fome e seus fatores motivadores, o que explicita a carência de engajamento governamental para a formação de uma sociedade verdadeiramente íntegra.

De início, é inquestionável que as autoridades brasileiras já proporcionam condições para que o maior percentual da população desfrute de uma vida digna e saudável. Pode - se mencionar, por exemplo, o Programa Bolsa Família, cujo objetivo é, dentre outros, ofertar por meio de um auxílio mensal o direito à alimentação e à saúde a famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. Tal fato, de certa forma, demonstra que há intenção governamental em preparar a sociedade para usufruir de seus direitos previstos pela Constituição Federativa.

Contudo, medidas como essas não são capazes de atenuar os altos índices de insegurança alimentar no país, uma vez que, devido ao baixo nível educacional destinado à maior parcela da sociedade brasileira, ainda incapaz de manter uma postura crítica e consciente, vê-se, diariamente, a falta de investimento governamental na agricultura familiar, o que contribui para o aumento nos preços dos alimentos, e, consequentemente, intensifica a desigualdade social e a má distribuição de alimentos. É fato que enquanto o Estado não pautar o sistema educacional em compromisso social, no qual desenvolver e apoiar programas voltados para a comunidade é a prioridade, não se concretizarão estratégias para a redução da problemática.

Compreende - se, pelos fatos expostos, que há necessidade de maiores investimentos no âmbito alimentar. Para tanto, é prudente que o Estado, por meio do Ministério da Educação, não só modifique seu currículo escolar, para contemplar aulas de educação ambiental, com ênfase na criação de uma horta comunitária para cultivo de hortaliças e frutas, com alunos e familiares, semanalmente, mas também em parceria com o Ministério da Cidadania, intensifique projetos de apoio aos pequenos produtores, como a ampliação do Programa Cisternas e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, com o objetivo de alcançar o maior número possível de agricultores e democratizar o acesso ao alimento. Se assim for feito, ter – se – á uma sociedade pautada nos ideais iluministas .