A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/07/2021

No livro “Quarto de despejo”, escrito por Carolina Maria de Jesus, retrata sua vida de forma contundente e sensível ao expor o que vivenciou e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos, pois não tinha o que comer. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Carolina, e deixa bem claro que essa triste realidade ainda é a mesma, as famílias brasileiras contemporâneas ainda estão com um alto índice de insegurança alimentar, atingindo cerca de um quarto da população, segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Carolina Maria pode ser relacionada ao mundo do século XXI e é necessário salientar, ainda, que a sociedade atual precisa de um amparado governamental.

Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar que José Raimundo Sousa Ribeiro Junior, doutor em Geografia Humana, afirma que “o Executivo e o Legislativo são os responsáveis por discutir o orçamento do Estado para que o Judiciário autorize. Portanto, a fome não está sendo vista como prioridade”. É perceptível, então, que existe uma insigne desconsideração da parte do Estado com o ser humano, o que ocasiona um grande estigma nas famílias. Além disso, não se pode esquecer que, graças aos fatos supracitados, tais indivíduos não recebem nenhuma apoio, como, por exemplo, o esteriótipo de que todos que não têm o que comer no Brasil são marginais ou escolhem isso. Fica claro, pois, que a questão da fome no Brasil é tratada de forma equivocada, ferindo a população.

Em segundo lugar, convém ressaltar que há, no Brasil, uma evidente falta de apreço às famílias “esquecidas”, que vivem na esperança de acordar em um dia melhor. Desse modo, é lícito referenciar a escritora Carolina Maria de Jesus, que, na obra “Quarto de despejo”, narrou sua realidade em um dos parágrafos, dizendo que não tinha nada para comer e queria convidar seus filhos para se suicidar juntamente com ela, porém desistiu, pois olhou para eles e ficou com dó ao vê-los cheios de vida, mas lembrou que quem vive, precisa comer. Logo, é notório que, em situação análoga à mensagem abordada, os brasileiros, sem nenhum caminho a ser percorrido além da possível morte precoce, vivem na escuridão, isto é, a própria ignorância da lesgislação dissemina atitudes corruptas.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe ao Poder Executivo, forte ferramenta de governar o povo e administrar os interesses públicos, juntamente com o auxílio governamental, tome providencias levando empregos aos bairros ainda vulneráveis, como também oportunidades de formação aos cidadãos, trazendo cursos profissionalizantes, e para as mulheres que quisessem tirar uma renda extra, cursos de costura, pintura e crochê. Espera-se, com essa medida, que o estigma à questão da fome no Brasil seja paulatinamente erradicado.