A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 24/07/2021
Em meados da década de 60, iniciou-se em parte do mundo a Revolução Verde, movimento que consistiu na evolução de técnicas da agricultura através do uso da tecnologia. Com isso, o Brasil tornou-se um grande produtor de gêneros alimentícios, o que permitiu ao país virar um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. No entanto, a fome é um problema que persiste no território e tem como fatores motivadores a falta de políticas públicas eficientes e a desiguldade social acentuada, que faz com que pessoas de baixa renda convivam diariamente com a insegurança alimentar. Nesse sentido, nota-se que a problemática precisa ser debatida para que se chegue a uma solução.
Inicialmente, cabe uma análise do papel do governo frente à fome. Em 2003, o então presidente Lula lançou o programa Fome Zero com o objetivo de alimentar famílias em situação de miséria. Tal política, que mais tarde transformou-se no programa Bolsa Família, foi essencial para amenizar a insegurança alimentar, porém, a situação ainda é grave, visto que a crise atual da covid-19 foi responsável por colocar mais pessoas na linha da pobreza e, consequentemente, na linha da fome. Assim, evidencia-se que o governo brasileiro necessita atualizar as políticas públicas e ampliar a sua eficiência para resolver o problema, pois é dever do Estado garantir o direito à alimentação, conforme previsto na Constituição.
Além disso, é pertinente destacar o impacto da desigualdade social no que tange ao acesso aos alimentos. Não é novidade que os preços dos produtos, mesmo os alimentícios produzidos no Brasil, são atrelados às oscilações do mercado internacional, o que faz com que os preços disparem em situações de crise, como a que está ocorrendo atualmente, e dificulta o acesso das pessoas de baixa renda aos alimentos básicos. Desse modo, esse grupo social passa a exercer a “subcidadania”, conceito cunhado pelo sociólogo brasileiro Jessé Souza para explicar que os direitos da população carente são negligenciados, sendo a existência da fome um exemplo dessa negligência.
Portanto, para que esse problema seja solucionado, é dever do Estado, uma vez que ele é tido como garantidor de direitos fundamentais, elaborar uma política mais estratégica de combate à fome, por meio da ampliação da identificação de famílias pobres e do mapeamento de zonas com o maior risco de insegurança alimentar para que a população seja melhor assisitida, através do recebimento de cestas básicas, por exemplo. Dessa forma, todas as famílias brasileiras terão o seu direito à alimentação assegurado.