A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 03/08/2021

Na obra “Vidas Secas”, do autor modernista Graciliano Ramos, é retratado a extrema pobreza de uma família do Nordeste que vivencia a obscuridade da carência alimentar. Hodiernamente, essa realidade ainda é enfrentada por muitos brasileiros -mesmo o país tendo recursos e alternativas para lidar com à fome- e os números da insegurança alimentar crescem em níveis exponenciais. Nesse sentido, é notório que essa problemática se propicia tanto pela negligência governamental quanto pela  influência negativa do agronegócio.

Inicialmente, vê-se que medidas já foram propostas com o intuito de erradicar à miséria no Brasil, como o projeto “Fome Zero”. Esse plano foi essencial para que o Brasil saísse do mapa da fome, no ano de 2014. Entretanto, pouco tempo depois, isso deixou de ser uma realidade, tendo em vista a irresponsabilidade do Poder Público no processo de continuação do combate à fome. Portanto, fica evidente que mesmo o país tendo no artigo 6° da Constituição Federal o pleno direito à alimentação, a atual conjuntura governamental banaliza a situação da carência alimentar e desrespeita direitos básicos da população.

Outrossim, o agronegócio tem sido um obstáculo no combate à fome. Nessa circunstânia, evidencia-se que a produção de commodities no Brasil é voltada para o mercado internacional, ou seja, os investimentos ficam restritos a essa esfera agroalimentar e, assim, acaba inviabilizando o crescimento da agricultura familiar, grande responsável pelo abastecimento de suprimentos do mercado interno.  Além disso, o programa da Emenda Constitucional 95, que congelou gastos públicos, tem agravado a situação da fome, visto que sem reajustes no salário mínimo e com a inflação dos alimentos em alta a capacidade de compra torna-se cada vez mais inacessível.

Logo, se torna urgentemente necessário reverter a situação da fome no Brasil. Para isso, deve o Governo Federal voltar a realizar o programa “Fome Zero”, levando em consideração o seu sucesso no combate à insegurança alimentar, e manter constante fiscalização do programa para garantir seu sucesso e evitar descontrole e burlamento. Ademais, cabe ao Ministério da Agricultura, dar maior atenção a agricultura familiar -devido a sua importância na manutenção da segurança alimentar- por meio de incentivos fiscais, para que, desse modo, obras como “Vidas Secas” sirvam apenas como patrimônio cultural e não mais como uma realidade brasileira.