A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/07/2021

O outono da Idade Média ficou conhecido por sua devastadora fome, oriunda da escassez de alimentos. Em tempos mais recentes, a chamada Revolução Verde trouxe a ilusão de que a alta produtividade agrícola faria da fome um problema “medieval”. Entretanto, o que se observou foi o grande avanço da agricultura intensiva sobre a agricultura extensiva do campo. No contexto brasileiro, o que se verifica é que a fome é causada pela grande concentração agrária e que as famílias mais vulneráveis a ela estão na zona rural.

Antes de tudo, há que se relembrar o histórico sócio-econômico do país: durante 500 anos, no Brasil, reinaram o latifúndio, a exportação e a oligarquia rural. Em razão disso, a grande parte dos bens alimentícios produzidos na terra iam abastecer o mercado europeu e os bolsos dos oligarcas rurais, deixando à pequena população o alimento mais caro no mercado interno. Embora isso não seja a única causa da fome, é inegável sua contribuição com a cultura historicamente estabelecida pela qual o povo brasileiro habituou-se a ficar privado de boa parte dos recursos produzidos no solo do país.                        Consequentemente, essa cultura afetou principalmente a população rural, o que é provado pelo IBGE quando este diz que 6,3% da fome brasileira se dá na zona rural, contra os 3,1% da cidade - mais que o dobro. Isso é causado pelo triste fato de os pequenos produtores terem de vender suas poucas terras aos latifundiários para quitar dívidas e, em seguida, ficarem no desemprego por carência de qualificação profissional. Sendo assim, sem terra para produzir seu alimento e/ou tirar a renda, essas famílias acabam expostas à fome num dos países que mais exportam comida do mundo.                            Demonstrado, pois, as causas do problema e suas consequências, cabe um meio de solução. É preciso, com efeito, que o Congresso Nacional aprove lei de reforma agrária. Essa lei deve ter em mira aquelas terras que forem improdutivas e devem ser repassadas, mediante um programa social, às famílias expostas à fome que se cadastrarem no sistema do mesmo programa. Assim há de ser feito para que as riquezas da terra sejam para os brasileiros, ao invés de serem para a minoria que patrocina a fome.