A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 05/08/2021

No filme espanhol ’’ O Poço’’,  é retradada a história de prisioneiros que são  confinados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos da comida do nível de cima. Ao longo da trama, é revelada a gravidade da fome e a disparidade do luxo dos primeiros andares comparada á miséria dos últimos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada a quetão da fome brasileira do século 21, em virtude da má distribuição de renda, bem como do desperdício de comida em uma sociedade verticalmente hierarquizada.

Em primeiro lugar, faz-se necessário destacar que a desnutrição brasileira tem ligação direta com a desigualdade, sobretudo acúmulo de renda. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a concentração de renda no Brasil é uma das mais altas do mundo, tendo em vista que 1% da população concentra 28,3% dos bens totais do pais. Assim, é evidente que a Constituição de 1988 -que garante igualdade e amparo de todos perante a lei- não é efetivada e, com isso, poucos recebem muito em seus pratos enquanto muitos ficam de estômago vazio.

É importante mencionar, ainda, que o desperdício de alimentos é um fator que maximiza a problemática. Conforme o conceito de ‘‘Atitude Blasé’’, do sociólogo George Simmel, os indivíuos passam a agir com indiferença em diversas situações do cotidiano. Isso se dá á medida que ao descartar alimentos que ainda têm valor nutricional , há um aumento no valor dos produtos e muitas famílias não conseguem pagar por eles. Prova disso são dos dados apresentados pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), enquanto 821 milhões de pessoas passam fome no mundo, um terço dos alimentos alimentados são estragados diariamente. Logo, esta é uma das contradições mais tristes da vida moderna e pede por ações que ajudem a modificar essa realidade.

Fica claro, portanto, que a fome no Brasil é uma questão evidente e deve ser combatida. Para minimizar as desigualdades sociais e melhorar as condições de alimentação da população brasileira, urge, que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, crie, por meio de verbas públicas, auxílio financeiro para os pequenos agricultores. Além disso, sementes com mais qualidade, ferramentas agrícolas e fertilizantes para garantir maiores rendimentos também devem ser fornecidas. Por fim, cabe a mídia, através de propaganda, enfatizar para a população a importância do consumo consciente, que supre as necessidades pessoais e não colabora com o aumento de preços das mercadorias. Somente assim será possível promover o bem estar social.