A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 28/07/2021
O poço, filme disponível na plataforma Netflix, mostra a desigualdade gradativa na distribuição dos alimentos de indivíduos que estão presos em celas como se fossem andares subterrâneos, onde quem está em cima come melhor do que quem está em baixo e assim segue em mais de 200 andares, causando a morte de vários personagens. Não distante da trama, hodiernamente, percebe-se um sério problema, no que tange à questão da fome e seus fatores motivadores na sociedade brasileira. Dessa maneira, urge que medidas sejam implementadas, a fim de mitigar os impactos desse cenário que tem a negligência governamental e a desigualdade social como principais causas.
Cabe abordar, primeiramente, a triste indiferença do governo, que é um desafio presente na problemática. Conforme o artigo 6º da Constituição Federal, a alimentação é um direito social. No entanto, há uma negligência por parte do Estado em prover alimentação para toda população, uma vez que, em 2014, quase 10 milhões de pessoas no Brasil ainda conviviam com a fome, segundo dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Vale ainda lembrar, que na lógica capitalista do mundo atual, o país está mais preocupado em exportar seus alimentos e não em alimentar efetivamente toda a população. Logo, é mister que o Poder Público torne-se mais responsável em suas funções como provedor.
Em segundo plano, outro fator a salientar é a desigualdade social presente. “A revolução dos bichos”, livro de George Orwell, conta a fábula onde os porcos denominavam-se chefes e mais inteligentes e por isso tinham direito a uma maior porcentagem de comida em relação aos outros animais trabalhadores. Nesse mesmo viés, há uma grande diferença na população que consegue se alimentar adequadamente e da que não se alimenta, uma vez que a proporção da fome no âmbito rural é quase o dobro da fome detectada em áreas urbanas(de acordo com dados oficiais do governo).Dessa forma, evidencia-se que não é só no livro que a diferenciação de classes determina a quantidade de comida.
Em síntese, é fulcral que o indubitável problema não se perpetue na sociedade. Para isso, o Poder Público deve, por meio de destinação de verbas e projetos de leis, criar, em todo o país, centros de alimentação gratuitos, provendo todas as refeições necessárias do dia, tendo em vista maiores números de polos em zonas rurais, para que a população não atinja uma maior prorpoção de fome. Deve ainda, promover mudanças nas taxas de exportação, adequando-se a distribuir parte dos produtos agropecuários para a população mais carente, com intuito de que estes tenham como continuarem mantendo-se vivos. Sendo assim, o Brasil terá materializado o descrito no artigo 6º da Constituição e a população não poderá ser comparada aos personagens do filme.