A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 29/07/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso a saúde, alimentação e saneamento básico aos  brasileros como um direito fundamental, é visível que a lei não se aplica em sua totalidade, visto que há uma parcela da sociedade que sofre com a falta de alimentos no cotidiano. Isso é desencadeado a partir do atual cenário brasileiro de desigualdades sociais no âmbito econômico, que é fomentado pela concentração fundiária e pela distribuição desigual de renda entre os brasileros.

Em primeira análise, é importante ressaltar que o principal entrave que possibilita os casos de fome no Brasil é a concentração das terras produtivas, que estão inseridas em um cenário de produção de larga escala para a venda internacional. Isso é explicitado a partir de dados da revista “Todo Estudo”, que mostram a concentração de 60% das terras agricutáveis em 1,4% da população brasilera. Assim, cabe analisar que esses propietários de terras têm foco na produção de commodities como a soja e o milho, que não são consumidos no Brasil, servindo exclusivamente para a exportação. A partir disso, o país fica dependente da importação dos gêneros alimentícios, e isso se reflete diretamente nos altos preços de produtos em supermercados e mercados, assim, os brasileros com baixo poder aquisitivo são afetados por não conseguirem sustentar uma alimentação adequada diariamente.

Além disso, outro fator limitante dessa problemática ocorre pela distribuição de renda entre os brasileiros, em que poucos detêm a maior parte da renda e muitos vivem em situações de vulnerabilidade social. Esse cenário é explicitado pelo PIB (Produto Interno Bruto) que mede a riqueza total de um país durante o período analisado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o PIB brasileiro está entre um dos maiores do mundo, entretanto, a maior parte dessa riqueza está concentrada em uma parcela populacional muito pequena, refletindo assim as profundas desigualdades sociais e econômicas existentes no território. Desse modo, é possível destacar que essa desigualdade social é visível no cenário da fome no Brasil, pela inacessibilidade da insumos alimentícios pela falta de renda.

Portanto, visando reverter a realidade apresentada, é dever do Ministério do Trabalho tornar a produção de gêneros alimentícios no próprio Brasil mais comum, por meio da criação de benefícos aos produtores dos alimentos, objetivando-se alcançar preços mais justos e acessíveis aos brasileiros. Ademais, cabe ao Ministério da Economia promover a distribuição de renda para a população vulnerável, através de benefícios sociais de verbas oriundas de taxas aos produtos agrícolas exportados, diminuindo-se as desigualdade sociais e econômicas, possibilitando o fim da fome no Brasil.