A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 29/07/2021

A novela brasileira “Avenida Brasil” apresenta a luxuosa vida de um jogador de futebol em paralelo a vida de crianças abandonadas no lixão, na qual observa-se as precárias condições vivenciadas por uma grande parcela da sociedade brasileira e salienta um grave problema estrutural, a fome. Fora das telas, no entanto, a conjuntura do país não diverge da ficção, tendo em vista que o panorama da desigualdade ocorre devido a negligência governamental atrelada a desvalorização do trabalho voluntário. Nesse sentido, convém analisar as causas e as soluções viáveis para atenuar essa problemática.

Deve-se analisar, de início, como o descaso por parte do governo contribui para a permanência desse impasse. Segundo a Constituição promulgada em 1988, é dever do poder público zelar pelo bem-estar de toda a população, garantindo, principalmente, os direitos essenciais, como a saúde e a alimentação. Entretanto, são poucos, de fato, que possuem esses privilégios efetivados, tendo em vista que os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam a violação dos direitos presentes na Magda Carta brasileira, ao relatar que mais de 7 milhões de cidadãos não possuem uma alimentação adequada. Sob tal perspectiva, verifica-se que o Brasil possui uma extrema desigualdade que impede a efetivação do desenvolvimento integral dos indivíduos e, por isso, é fundamental a adoção de políticas públicas para reverter esse panorama.

Somado a isso, é essencial compreender como o individualismo impede a efetivação do trabalho voluntário em relação ao combate a fome. O conceito “Homem cordial” proposto pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, afirma que de acordo com a análise comportamental dos brasileiros, eles tendem a ser individualistas, colocando suas prioridades acima dos interesses coletivos. Sob tal perspectiva, pode-se afirmar que essa tendência compromete a empatia nas relações sociais, fato que impede o trabalho humanitário que visa o combate a fome.Dessa maneira, o sentimento egocêntrico impossibilita a efetivação de ações solidárias e, consequentemente, contribui para a persistência da fome no Brasil.

Diante disso, é necessária uma ação efetiva por parte das Organizações não Governamentais (ONGs), principais instituições sem fins lucrativos, que consistiria na promoção de campanhas de cunho informativo e de amplo alcance, através dos principais meios de comunicação, como publicações nas redes sociais. Nessa campanha deve ser abordada a importância do trabalho voluntário na vida dos indivíduos que apresentam alguma vulnerabilidade social, como a fome, a fim de diminuir o individualismo e promover transformações sociais. Ademais, é necessário que o Governo priorize políticas públicas que visem a redução da fome no país, como a  distribuição gratuita de alimentos, a fim de garantir os direitos presentes na Constituição.