A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 31/07/2021

O filme “O poço “, produzido pela Netflix, criou debates ao apresentar metáforas sobre o desperdício de alimentos e a fome no mundo. Nesse sentido, nota-se que a ficção não difere da realidade brasileira no que tange a problemática da fome e suas motivações. Dessa forma, é perceptível a influência da má distribuição de alimentos e negligência estatal na permanência dessa mazela. Nesse viés, faz-se necessário analisar as razões que tornam essa problemática uma realidade brasileira.

Em primeira análise, vale ressaltar as controvérsias que cercam os dados relacionados a fome no Brasil. Segundo o IBGE, em pesquisa realizada em 2014, o Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos, atrás somente dos Estados Unidos e da China, assim como é um dos maiores países com elevado índice de população com insegurança alimentar grave. Nesse sentido, vale esclarecer que a grande maioria das monoculturas e do agronegócio é direcionado para exportação. Consequentemente, devido a economia de base agropecuária, o Brasil gasta muito mais com a importação de produtos industrializados e não utiliza esse capital para promover reforma na distribuição interna de alimentos.

Ademais, cabe abordar a negligência estatal com os pequenos produtores rurais, grandes responsáveis pelos produtos que alimentam o brasileiro. A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direito á alimentação. Contudo, os constantes cortes realizados desde 2015 em programas de apoio financeiro e proteção aos pequenos agricultores mostra que esse direito não “sai do papel”. Além disso, o problema torna-se mais preocupante ao analisar que cerca de 43% da população rural passa fome, ou seja, quase metade desses agricultores não conseguem se sustentar com a renda que adquire.

Torna-se evidente, portanto, que a fome é uma mazela que fere a dignidade humana. Por isso, cabe ao Ministério da Agricultura auxiliar no crescimento e desenvolvimento da agricultura familiar, por meio do retorno e melhora de projetos de apoio financeiro a minifúndios, promovendo diminuição de impostos e facilidade de acesso ao crédito, a fim de gerar empregos, diminuir a inflação sob alimentos e diminuir a insegurança alimentar. Dessa forma, será possível construir uma população livre da fome.