A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 02/08/2021

Em 2014, o Brasil celebrou a sua saída do “Mapa da Fome” da ONU, um importante marco no caminho à promoção do direito humano à alimentação adequada e saudável. No entanto, nos últimos 3 anos o país tem retrocedido de maneira importante nesse quesito, fazendo com que a fome voltasse a ser um problema estrutural. Nesse cenário, percebe-se que a fome persiste devido não só ao legado histórico da estrutura fundiária brasileira mas também a intensa desigualdade social.

Em primeira análise, é importante considerar que a elevada concentração fundiária brasileira tem raízes históricas e papel crucial na persistência da fome no Brasil. Em 1850, foi aprovada a chamada “Lei de Terras”, que estabelecia que o acesso à terra se daria exclusivamente pela compra, condição que fez com que somente aqueles com alta renda tivesse acesso a terras. Desde então, o campo se tornou um lucrativo negócio no país, favorecendo o estabelecimento de grandes latifúndios que tem como objetivo ganhar dinheiro e não o abastecimento alimentar do país. Assim, a forma com que a terra se organiza no Brasil favorece a persistência da fome no Brasil.

Além disso, a consistente desigualdade social é outro fator motivador para a fome no Brasil. Malthus acreditava que a humanidade enfrentaria um grande problema devido à incapacidade de produzir alimentos suficientes para suprir a crescente população. No entanto, a Revolução Verde quebrou esse paradigma fazendo com que a produtividade agrícola aumentasse a ponto de ser capaz de alimentar toda a população mundial. Entretanto, a fome ainda permanece devido à desigualdade social, condição a qual dificulta o acesso aos alimentos uma vez que grande parte do corpo social do Brasil vive com uma renda inferior a necessária para comprar alimentos que supram a sua demanda existêncial.

Portanto, evidencia-se que são necessárias mudanças para que se reduza a fome no Brasil. Assim, o Ministérios da Agricultura junto com o Ministério da Fazenda devem realizar uma redistribuição de terras por meio de arrendamento de terras improdutivas do Estado para a população carente que vive no campo. Esse arrendamento deve ser feito em conjunto com auxílios econômicos para que esses pequenos agricultores tenham uma produção competitiva capaz de abastecer o mercado interno do país. Essa ação tem como finalidade aumentar a oferta de alimentos no mercado nacional para que assim os preços destes sejam reduzidos, facilitando o acesso alimentar e gerando, por consequência, a redução da fome.