A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 17/08/2021
Segundo Zygmunth Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais e econômicas caracteriza a “modernidade líquida” do século XXI. Nesse ínterim, observa-se que, no Brasil, a instabilidade monetária, presente nos últimos anos, resultou na volta do país para a fila das nações com alto índice de famintos. Com isso, urge refutar os impasses dessa problemática, como o corte de verbas públicas em simetria com a redução de programas federais, a fim de reverter a posição alimentar miserável de mihares de brasileiros.
Em primeiro plano, destaca-se a situação financeira deficiente como fator colaborativo para o alastramento da fome brasileira. Nesse ínterim, observa-se que, no ano de 2019, restaurantes populares, como o de Porto Alegre, encerraram suas atividades por falta de repasses financeiros do governo federal para as cidades que oferecem esse sustento. Com isso, a população de baixa renda perdeu a acessibilidade a uma alimentação de preço razoável, quadro que permitiu que muitos indivíduos entrassem no mapa da fome. Logo, faz-se necessária uma intervenção governamental para reverter esse cenário crítico.
Paralelamente a isso, sobressai a interrupção de políticas públicas como motor propulsor da constância da miséria nutricional em regiões do país. Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, em 2020, 47% da população do semiárido brasileiroestá em situação de fome. Esse panorama se deve a retirada de programas federais que garantia o acesso à agua e à condições para a produção de alimentos. Dessa forma, a aquisição da segurança alimentar de parcela da população foi interrompida pela negligência do poder público.
Destarte, entende-se que, a fome é fruto, em parte, do fechamento de instituições populares somado ao encerramento de projetos de assistência alimentar no Brasil. Assim, é míster que o Poder Executivo, não só reabra os restaurantes públicos que foram fechados, mas também construa novos centros de alimentação a preços populares, por meio de licitações tanto para a parte da estrutura urbana, quanto para os fornecedores de alimentos e profissionais do setor. Como efeito, parte populacional terá acesso a uma comida de qualidade e valor alcançável. Ademais, compete ao governo federal, o restabelecimento das propostas, outrora, efetivadas, mediante aprovação de decretos para a volta dos programas de assitência alimentar em regiões de maior vulnerabilidade nutricional. Desse modo, a fome será minimizada no Brasil do século XXI.