A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 25/08/2021
Durante o final do século 18, com o avanço dos estudos demográficos, o economicista Thomas Malthus formulou uma teoria de colapso mundial, baseada no crescimento desproporcional entre a quantidade de alimentos e o tamanho populacional, isto é, muitas pessoas para pouco abastecimento alimentício. Entretanto, mesmo com a refutação desta hipótese devido às revoluções produtivas, ainda há um grande contingente de indivíduos a passar fome, em contraste com a quantia mais que suficiente de comida no mundo, em especial no Brasil. Nesse sentido, faz-se necessária uma análise acerca de como o histórico colonial do país, em conjunto com o imensurável desperdício de alimentos tornam-se os propulsores dessa mazela preocupante.
Em primeiro plano, é importante salientar como o período colonial cristaliza a questão da subalimentação hodierna. Isso ocorre porque, devido aos padrões econômicos dessa época, a produção agropecuária era destinada ao mercado externo, ou seja, era priorizada a venda de gêneros alimentícios para outras nações. Ademais, com uma alta concentração de terras nas mãos de poucos, o acesso a elas era dificultado, o que comprometia e ainda compromete a diversificação produtiva e o abastecimento interno. Nesse cenário, é possível elencar o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação de que o problema da fome não é a falta de alimentos, e sim a falta de vontade política. Desse modo, com o conhecimento das próprias raízes históricas, os governantes do Brasil deveriam ter como meta a mudança desse cenário o qual ainda persiste, com uma reforma agrária, por exemplo, tal qual permitiria um amplo acesso de produtores rurais aos campos agrícolas, a facilitar a distribuição alimentícia.