A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 03/08/2021

O coletivo humano sempre se desenvolveu em torno da questão alimentar, desde os povos nômades, os quais eram coletores, até as sociedades sedentariezadas que promoveram o desenvolvimento da agricultura para se fixarem á terra. Mediante a isso, o Brasil também se formou pautado na questão alimentícia, sendo essa o desenvolvimento da plantação da cana-de-açúcar para o mercado externo, tornando a população residente na colônia dependente da metrópole  para o abastecimento de insumos alimentares. Sendo assim, o problema da fome no Brasil é o reflexo da colonização exploratória, e amplia-se  ainda mais devido a desigualdade de renda.

Primeiramente, é necessário entender que o sistema agrícola colonial brasileiro foi a plantation, sendo esse por definição monoculturas, com mão de obra escrava, voltado para o mercado externo, realizado em latifúndios. Por esse motivo, houve o surgimento da concentração fundiária, a qual inibiu a implantação de minifúndios que pudessem favorecer a produção e distribuição local de alimentos para a população do entorno,  sem eles obteve-se como resultado a fome. Assim, é possível perceber essa infeliz desventura através do livro “Vida Secas “, do autor Graciliano Ramos, no qual uma família é obrigada a migrar na tentativa da fugir da fome e da seca, revelando o quão problemático é a questão alimentencía pois, a narrativa expõe a condição degradente em que vivem inúmeras pessoas expostas a insegurança alimentar no Brasil.

Por esse mesmo prisma, a desigualdade de renda é um dos maiores fatores que culminam no problema da fome, porque, impossibilita famílias inteiras de comprar alimentos básicos. Além disso, como a produção agrícola nacional ainda é voltada para a exportação, o abismo social se torna mais gritante, sendo percebido por meio de dados do IBGE, os quais apontam que 60% da população do Maranhão passa por dificuldades alimentares, estado o qual tem um dos IDH`s mais baixos do país. Desse modo, confirma-se o quanto a pobreza, aglutinado a má distribuição da terra, reverbera em situações de extrema miséria e escassez de recursos essenciais para dignidade humana.

Em suma, é válido entender que é papel do Congresso Nacional, em conjunto com o Ministério Público fazer valer a reforma agrária, estabelecida na Constituição de 1988 por meio de  taxação e multa por cada hectáre de terra improdutivo ou abandonado. Pois, dessa forma aumentaria o número de famílias assentadas, o que ampliaria a produção para o mercado interno, gerando maior distribuição de renda no intuito de diminuir as desigualdades socias e promover a segurança alimentar, afim de construir um país que rompa definitivamente com laços coloniais e avançe na melhoria da qualidade de vida da população.