A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 04/08/2021
No ano de 2014, o Brasil atingiu um dos melhores índices de segurança alimentar e nutricional de sua história: a saída do Mapa da Fome Mundial traçado pela ONU. Esse mapa classifica países que possuem aproximadamente mais de 5% de sua população convivendo com uma insegurança alimentar, ou seja, no ano de 2014, menos de 5% dos brasileiros se preocupavam com a questão da fome no dia-a-dia. Atualmente, agravado pela pandemia e pela intensa desigualdade social, observa-se o retrocesso nos dados da fome, retornando aos patamares de 2004.
Primeiramente, sabe-se que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e isso afeta diretamente a qualidade de vida da população. Nesse sentido, a desigualdade social faz com que indivíduos menos favorecidos estejam sempre em condição de vulnerabilidade, e em momentos críticos - como a pandemia da Covid - sejam mais afetados por diversos fatores, como a fome. A fome não é uma causa natural, ela é o resultado de todo um processo estrutural presente na sociedade brasileira que pode e deve ser combatida.
Por conseguinte, a questão da fome evidencia a importância de políticas públicas como fator principal da mudança social em uma sociedade desigual. Nesse sentido, o geográfo brasileiro Josué de Castro publicou no ano de 1946 a “Geografia da Fome” no qual desmitificou a fome como fator natural, alegando que a fome foi criada pelo homem para outro homem. Josué sabia de sua importância, pois foi um dos maiores nomes na ’localização’ da fome no Brasil, e além disso contribuiu para trazer a fome para área da nutrição e alimentação, sendo abordagem possível de mudanças através das políticas que garantem a segurança alimentar.
Portanto, podemos concluir que a questão da fome no Brasil é abrangente, não sendo somente resolvida pela oferta de alimentos, mesmo que essa seja a medida principal. Embora o Brasil seja um dos pioneiros no combate à fome, políticas podem ser melhoradas pensando na situação atual, por isso, cabe à todos os ministérios propor e melhorar políticas que garantam a segurança alimentar como diminuir taxa de desemprego, melhorar programas de renda como o Bolsa Família, aumentar programas de habitação como o Minha Casa Minha Vida, além disso, garantir a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar em todas as escolas. Não podemos retroceder e tratar a fome como algo natural, precisa ser combatida com rapidez e seriedade, pois quem tem fome tem pressa.