A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 10/08/2021
No filme espanhol, “O poço”, de 2019, é retratada a vida de prisioneiros em uma torre em que as refeições são distribuídas de forma que cada andar fica com as sobras do anterior, se essas existirem. Ao longo da trama, a narrativa revela a dicotomia entre a abundância dos níveis superiores e a miséria dos inferiores, e o que a fome é capaz de fazer ao ser humano. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela vivida no Brasil do século XXI: expressiva falta de acesso a alimentos promovida pela falta de políticas de incentivo à agricultura familiare e o aumento dos preços devido à pandemia do Covid-19.
Nesse contexto, é importante destacar que a agricultura familiar é responsável por 70% da alimentação dos brasileiros, assim, representando uma maior fração de impacto interno do que o agronegócio. Entretanto, apesar desse número significativo, é possível perceber que a agricultura de exportação é a mais privilegiada pelo Estado, o que reverbera na posição Brasil, de acordo com a OMC, em segundo lugar em exportações de gêneros alimentícios no mundo, enquanto a agricultura familiar luta para se manter com ações como a do ex-presidente Michel Temer, responsável pelo fim do Ministério do desenvolvimento agrário. Nessa perspectiva, fica claro que há uma falta de alimentos para consumo interno por um enfoque estatal no lucro concebido pela exportação de produtos.
Além disso, a crise sanitária do Corona Vírus promoveu consequências ao país não tão somente quando se trata de saúde pública, mas também em relação à economia do Brasil. Segundo o Nexo jornal, desde 2020, houve um expressivo aumento dos preços dos alimentos no país, os tornando inacessíveis à população mais pobre por uma falta de políticas eficazes para diminuir o impacto desses valores na vida da população. Por conseguinte, de acordo com o portal de notícias da BBC, houve um aumento de 9 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar no país desde o início da pandemia, tornando, assim, uma realidadade anteriormente já alarmante, pelas 10 milhões de pessoas sem segurança alimentar, ainda pior.
Em síntese, se torna fácil perceber que a questão da fome no Brasil é cada vez mais preocupante e motivada por uma falta de políticas públicas de prevenção a essa realidade. Para o combate à insegurança alimentar no Brasil, urge que o Ministério da Economia promova uma política de assistência aos agricultores com um incentivo mensal com finalidade de que haja um aumento de sua produção e também que o mesmo aumente o valor concedido pelo auxílio emergencial de forma que acompanhe o aumento dos preços dos alimentos, assim, os tornando acessíveis. Somente assim, será possível a findar o problema da fome no Brasil.