A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 04/08/2021

Da escravidão dos séculos passados à atual pandemia do COVID-19, a fome sempre foi um dos maiores problemas enfrentados pela sociedade brasileira. Escancarando a desigualdade social vigente, dados de pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que quase 120 milhões de brasileiros estão passando fome neste exato momento. Logo, é preciso que maiores investimentos que visem a distribuição de cestas básicas sejam feitos e que haja, de forma concreta, fiscalização direta dos grandes concentradores de renda do país e suas fontes de riqueza.

Em primeiro lugar, faz-se necessária a discussão acerca da grande controvérsia existente na economia nacional. Em 2020, durante o isolamento social, o agronegócio foi o único setor financeiro que cresceu. Isso demonstra que o Brasil possui grande capacidade de produção, mas milhões de indivíduos não têm acesso à ela. Evitando que tamanha mazela se perpetue, movimentos e manifestações com o lema “Vida, pão, saúde e educação” saíram pelas ruas reivindicando direitos básicos de sobrevivência. Enquanto a elite agrária segue enriquecendo — assim como no Brasil escravocrata —, os setores que giram a roda da economia sequer têm o que comer.

Com isto em mente, é possível perceber que a herança desigual segue em existência e em domínio no país. Parafraseando o escritor Eça de Queiroz, é o comer que faz a fome. A realidade por trás da citação fica explícita na trilogia Jogos Vorazes, onde jovens de Panem — pão, do latim — são obrigados a matar uns aos outros dentro de uma arena caso queiram sobreviver e ter o que comer, recebendo prêmios por cada assassinato. Fora da ficção, a ausência de alimentos na mesa segue fazendo cada vez mais vítimas no país cuja última notícia chocante foi a de filas enormes para a compra de ossos. Assim, fica explícito que é preciso lutar contra a normalização de tamanho absurdo.

Portanto, é urgente que ações sejam tomadas para reverter a problemática. Primordialmente, é preciso que as prefeituras municipais — por meio de investimentos estaduais — sejam capazes de distribuir cestas básicas para as famílias carentes. Ademais, cabe ao governo federal, após tamanha cobrança social, garantir maiores fiscalizações das políticas públicas de distribuição de renda, auxiliando no fim da concentração de milhões de reais nas mãos de poucos, onde outros milhões enfrentam o vazio das geladeiras. A fome mata, mas por meio destas ações pode deixar de bater na porta de mais indivíduos.