A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 05/08/2021

Em julho de 2021, as mídias sociais foram assombradas com a notícia de pessoas em Cuiabá, capital do Mato Grosso, formando fila em um açougue com o intuito de receber doações de ossos para usá-los como alimento. A esse respeito, a insegurança alimentar é um problema enfrentado há muito tempo pelo país, no entanto, nos últimos anos, o desfoque do Estado no combate a fome, somado à pandemia, ao desemprego e à crise financeira, intensificaram esse problema. Logo, a questão da fome deve ser prontamente combatida, visando garantir à população seu direito como rege a lei.

A Constituição de 1988 garante, em seu artigo sexto, que todo cidadão tem direito à saúde, bem-estar e ao acesso à alimentação de qualidade. Entretanto, com a intensificação dos casos de insegurança alimentar, é visível que grande parte da população não possui acesso aos seus direitos básicos e precisa lidar com as consequências da pobreza e da fome em sua saúde e qualidade de vida. Isso mostra que casos, como os da notícia de Cuiabá, são resultados de um problema cada vez maior e preocupante por todo o Brasil.

Ademais, a crise financeira enfrentada pelo país, em conjunto com a pandemia pelo Coronavírus em 2020, fez com que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrasse um recorde de desempregos, acometendo 13% da população. Nesse sentido, além do desemprego, a crise financeira acaba aumentando ainda mais a questão da insegurança alimentar, visto que a população mais pobre passa a ter um poder de compra ainda menor com o aumento dos preços. Além disso, ainda tem-se como fator motivador da fome a concentração de renda em grandes empresas e no agronegócio, aliado também à elevada exportação de alimentos, a qual resulta no aumento do preço dos alimentos no mercado interno.

Em síntese, a questão da fome no Brasil deve voltar a ser um foco para o Governo Federal, o qual precisa elaboar um plano de ação, em parceria com ONGs de serviços sociais, o qual pode ser nomeado “Auxilio aos Direitos Básicos”, que arrecade e direcione recursos às populações mais pobres. Por conseguinte, esse plano de ação deve abranger tanto as necessidades materias, como cestas básicas e a garantia de moradia, quanto a assistência na busca de empregos, visando, com esses empregos, fornecer às famílias uma fonte de renda fixa. Outrossim, o combate à pandemia por meio da vacinação de toda a população permitirá que o país volte a ter um crescimento econômico considerado essencial para a queda dos preços e um maior acesso aos produtos por parte da população.