A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 07/08/2021

A Constituição de 1988 assegura que todo brasileiro tem como direito social o acesso à alimentação. No entanto, 19 milhões de pessoas se apresentam em situação de fome segundo dados divulgados em 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar. Com isso, este cenário paradoxal é explicado pela pandemia do Corona Vírus , que assombra o país a quase 2 anos, mas também por uma série de fatores ocorridos nos últimos governos.

Em primeira instância, é válido frisar a importância dos programas sociais governamentais no combate a fome. Em 2014, o Brasil foi retirado do Mapa da Fome da FAO e apresentava 77% dos domicílios em segurança alimentar. Esse número é justificado pelos investimentos no Bolsa Família, em programas de incentivo a agricultura familiar e de distribuição de alimentos. Contudo, a partir do governo de Michel Temer, rendas repassadas a essas áreas foram reduzidas e pastas responsáveis pelo tema foram extintas, demonstrando certo descaso dos orgãos públicos com a situação alimentar da população brasileira. Ademais, a linha da pobreza do ponto de vista administrativo não é o mesmo da realidade. Programas atuais deixam de assistir milhares de famílias necessitadas por uma falta de atualização em relação aos requisitos necessários para receber o auxílio financeiro, como a renda máxima mensal familiar, por exemplo.

Deve-se frisar também o fato de que o Brasil é atualmente o segundo maior exportador de alimentos do mundo ao mesmo tempo em que voltou ao Mapa da Fome em 2021. Desta forma, fica evidente que o problema não se configura pela falta mas sim pela dificuldade de acesso a comida. O agronegócio brasileiro é dono de maior parte de terras, possui importantes representantes na esfera Legislativa e grandes vantagens financeiras para seu desenvolvimento. Porém, sua produção é basicamente composta por commodities para exportação. A agricultura familiar, que vem sendo ignorada principalmente pelo governo Bolsonaro, é a responsável pelo abastecimento interno do país. Logo, ao ser menosprezada, a desigualdade é evidenciada e o alcance, dificultado.

Fica evidente, portanto, que a situação da fome no Brasil é uma questão de desigualdade com origens econômicas e políticas. A fim de que ocorra uma melhora no cenário apresentado é necessário que o Ministério da Cidadania atualize e reformule os programas sociais já existentes para atender cada vez mais um número maior de famílias. Além disso, também deve criar pastas em parceria com o Ministério da Agricultura que incentivem o crescimento da agricultura familiar com a finalidade de aumentar o acesso da população a alimentos, além de fomentar o trabalho no campo.