A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/08/2021

Em julho de 2021, o mundo inteiro viu Jeff Bezos ir aos céus com outras três pessoas para “passear” na atmosfera. Enquanto isso, milhares de pessoas sofrem por falta de comida em muitos países, inclusive os brasileiros. Tal fato causa um estranhamento ao ver que o foco de investimentos não está na humanidade como um todo, e sim no lucro que viagens ao espaço podem render para bilionários, e, aqui no Brasil, o dinheiro que o agronegócio pode gerar para empresas privadas, mesmo sem encher a barriga dos esfomeados do Brasil.

Nas últimas décadas, com a expansão das possibilidades tecnológicas e dos sonhos de filmes de ficção científica, o conceito de “futurismo” ganha notoriedade. Nada mais é do que um investimento em pesquisas sobre imortalidade, carros voadores e outros tantos desejos que seriam um grande luxo para os poucos que teriam acesso à eles. Estes projetos evidenciam como nosso sistema econômico não está aqui para auxiliar a população total, e sim, uma pequena parcela que construiu a ideia de que o dinheiro, representado por tais pesquisas luxuosas, vale mais do que a comida, que não é concedida a quem mais precisa. E assim, o Estado brasileiro vem trabalhando sobre tal ótica neoliberal, valorizando mais o PIB que o povo.

Seguindo este raciocínio, o fato de que há uma grande bancada ruralista no congresso e poder brasileiro que vem facilitando as ações do agronegócio (como tentativas de flexibilação na tomada de terras indígenas por agricultores e marginalização de movimentos como o Movimento dos Sem Terra) e reduzindo investimentos na agricultura familiar, ignora a já pouca atenção que a fome tem em contexto nacional. Segundo o censo agropecuário do IBGE, 70% da comida consumida pelos brasileiros vem desta agricultura de subexistência, porém, o “Agro é pop” que é dito na grande mídia e os grandes investimentos agrícolas tratam principalmente do agronegócio exportador, que fornece pouquíssimos alimentos para o consumo nacional por terem de ser vendidos por preços baixos aqui, mas, gera grande riquezas para empresas privadas.

Destarte, urge a necessidade de que os Ministérios da Ciência e Agricultura, e afins organizações governamentais, estimulem a pesquisa focada não no futurismo, mas nas necessidades básicas como alimentação, e desenvolvam ou melhorem projetos de financiamento da agricultura familiar. Através de bolsas científcas e do enfoque de verbas públicas para a agricultura de subexistência, não o agronegócio, poder-se-ia garantir o primeiro passo de igualdade alimentícia, certificando o basico a todos, antes do luxo a poucos.