A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 08/08/2021
Lucro e Fome: a inaptidão do governo em apoiar os mais necessitados
Em 2014, o Brasil comemorava o fato de ter saído do “mapa da fome”, um índice mundial que classificava os países de acordo com a população em situação de insegurança alimentar. Hoje, quase uma década depois, o índice já não é mais utilizado, mas outros foram criados e indicam retrocesso no cenário nacional. No cerne da questão encontram-se os interesses de um dos grupos mais fortes do Brasil - o do agronegócio -, que apesar de produzir mais que o suficiente para alimentar a população nacional, prioriza a exportação; além da falta de subsídios e recursos voltados ao pequeno agricultor familiar que, responsável por 70% do produto nacional, é quem realmente põe a comida na mesa dos brasileiros.
Com o aumento exponencial do valor do dólar, vender para outros países é muito mais atraente do que voltar-se ao mercado interno; de modo que os responsáveis pela grande produção agrícola no país, representados na política pela poderosa bancada rural, lucram fortemente com a exportação de seu produto e são incentivados pelo governo.
Além do apoio ao agronegócio, o governo vem diminuindo vertiginosamente o investimento em programas de apoio ao pequeno agricultor. Conforme explica Daniel Balaban, da ONU, os programas de apoio ao agricultor familiar, que no passado tinham orçamentos bilhonários, atualmente mal chegam a uma centena de milhões de reais. O pequeno agricultor, naturalmente mais vulnerável, depende diretamente dos incentivos governamentais e sem esse apoio, fica ainda mais fragilizado.
O investimento do governo vem favorecendo os exportadores em detrimento de quem realmente abastece a população brasileira. Desta forma, é essencial que o governo nacional, através do resgate das políticas públicas de apoio aos pequenos agricultores – hoje sucateada –, reduza essa disparidade, contribuindo com a diminuição da fome.