A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/08/2021

Miséria, desnutrição e desamparo: o problema recorrente da fome no Brasil potencializa a situação precária da parcela mais vulnerável da população. Para combatê-lo, é necessário haver mudanças na postura do Poder Público - o qual tem desassistido pessoas nesse sentido -, levando em consideração  as raízes históricas da desigualdade social que possibilita tal cenário.

Em primeira análise, faz-se imprescindível ressaltar o passado brasileiro de segregação que construiu a pobreza constatada até os dias atuais. Para isso, o país recebeu grandes populações de negros escravizados e imigrantes europeus pobres a procura de trabalho, sobretudo no século XIX, provocando aumentos demográficos, mas também marginalização dessas pessoas assoladas pela fome. Dessa forma, inseridas em um panorama de desigualdade e falta de oportunidades, essas condições se propagaram como herança através dos séculos, manutenindo-se de forma estruturante. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em publicação de 2014, naquele momento, mais de 7 milhões de pessoas no Brasil sobreviviam em meio à fome, fomentando um cenário grave que, porém, não apresenta sinais de extinção.

A partir disso, essa realidade é possibilitada mediante ‘‘anomia’’ do Estado (conceito do filósofo francês Durkheim para apontar negligência), o qual tem assistido cada vez menos seu povo nesse sentido. Dessa maneira, mesmo que alimentação seja direito garantido na Constituição vigente de 1988, o país extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar em 2019, em uma atuação contraditória que exemplifica, ainda, a chamada “Atitude Blasé”, termo de Georg Simmel (sociólogo alemão) que diz respeito a problemas comuns que não causam mobilização, por mais graves que sejam. Diante disso, não há mudanças acerca de um aspecto tão essencial da vida humana senão partindo de ações institucionais.

Portanto, sendo a fome uma questão de extremo sofrimento para pessoas em situação de pobreza, é dever do Poder Público transformá-la em prioridade. Para isso, cabe ao Governo Federal a criação de programas semelhantes ao Bolsa Família, além de aumentar os gastos públicos nesse, mediante verbas direcionadas ao combate à pobreza, com o fito emergencial de proporcionar renda mínima àqueles que necessitam, sem exceção. Ademais, sob as mesmas condições devem ser criados empregos destinádos à essa população a fim de solidificar esse processo. Dessa forma, fazer-se-á uma sociedade nutrida, saudável e longe dos abismos das desigualdades alimentares históricas.