A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 21/08/2021

No livro “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos, o leitor acompanha a história de uma família de retirantes sertanejos, que se encontra numa situação de constante deslocamento, a fim de evitar a seca e, consequentemente, a fome. Em paralelo com a realidade, os problemas que as personagens da obra enfrentam são os mesmos que assolam muitas famílias da sociedade brasileira atual. A fome é uma questão que exige atenção e urgência, e que tem suas origens em fatores como extrema desigualdade social e uma administração falha da distribuição de produtos agrícolas, além de desastres naturais. Diante disso, é essencial que políticas públicas efetivas sejam implementadas, a fim de suprir a carência nutricional de milhares de famílias brasileiras.

Acerca dos argumentos apresentados, vale citar que o artigo 6º da Constituição Federal prevê o direito de todos os brasileiros à alimentação. Em contraponto a isso, de acordo com uma pesquisa do IBGE, mais de 7 milhões de brasileiros convivem com a fome, sendo que o Nordeste é a região que apresenta situação mais alarmante. Apesar dos números preocupantes, pode-se observar que há cada vez mais um esvaziamento de políticas que estimulem o combate à fome e a agricultura familiar, além da defasagem na cobertura do Bolsa Família. Para um país que já tinha deixado o Mapa da Fome em 2014, fica claro o descaso atual com a implantação de programas voltados a apoiar famílias que passam necessidades.

Ademais, é fato que o Brasil é um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo e, mesmo assim, conforme estudo da Universidade Livre de Berlim, 75,2% da população rural brasileira está em situação de insegurança alimentar, e isso se dá principalmente porque o modelo agrícola brasileiro não tem perspectiva de alimentar pessoas. Como afirma Renata Motta, pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, a fome não resulta da falta produção de alimentos, mas sim da falta de acesso à eles; um exemplo claro disso foi a alta nos preços de alimentos como arroz e óleo de soja. Logo, é evidente que os programas sociais de transferência de renda não atingem toda a parcela da população que sofre com a insegurança alimentar, impedindo estes de terem acesso a alimentação.

Diante disso, é essencial que haja, por parte do Ministério da Cidadania, um aumento no investimento destinado a programas como o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), visando suprir as necessidades de famílias que sofrem com a fome, além de estimular a agricultura familiar. Além disso, é importante garantir o funcionamento de programas como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), com o mesmo objetivo de atingir uma parcela maior da população carente. A alimentação é um direito de todos.