A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/08/2021
A fome, em um país tão rico como o Brasil, chega a ser motivo de espanto quando colocado o número de requerido no papel. Sabe-se que, mais de 7 milhões de pessoas convivem com a situação problemática, segundo dados estatísticos do IBGE em documento escrito em 2017. Em virtude de uma formação sociocultural escravocrata e pelo consumismo criado através do capitalismo, brasileiros cada vez mais enfrentam a pobreza, o desemprego e a fome como luta diária.
A princípio, considerar o desenvolvimento de heranças escravagistas e suas consequências tornaram-se de suma importância, visto que os “libertos” após a abolição, sem opções, se tornaram a classe social em questão. Como resultado de uma liberdade dependente, começou-se a fome e a busca do mínimo para o sustento familiar e individual. Com isso, juntamente com o racismo, a discriminação levou os indivíduos a empregos análogos ao que já viviam e mal remunerados, chegando ao desemprego, consequentemente impossibilitando a alimentação regular e essencial, e fomentando formação de favelas e barracos como meio de sobrevivência.
Em segundo plano, é evidente a classificação entre as classes ao notar os bens e posses de certo indivíduo. Em decorrência do capitalismo, o consumismo exagerado e a visão do lucro próprio, tornaram-se pilares essenciais para a formação da desigualdade. Tanto na fuga do essencial quanto no desperdício alimentício, a ótica de esbanjar enquanto outros não tem nada são panoramas tristes, mas recorrentes atualmente. Nesse sentido, a visualização de lados opostos em uma cidade grande como São Paulo onde, de um lado há mansões e casas rebuscadas e do outro há favelas e construções precárias, exemplifica o desbalanceamento em questão, ligado a falta e ao desperdício, ao plural e ao singular, este muita das vezes inexistente, a banquetes e latas de lixo.
Em suma, chega-se à conclusão de que o problema em questão e seus fatores motivadores estão ligados a estrutura do preconceito racial, desigualdade econômica, precariedade alimentícia e residencial, e pobreza, adjetivos os quais mantém co-relações e estruturam uma sociedade brasileira que reside em favelas, se alimenta de ossos descartados por açougues e são majoritariamente negros. Por isso, conseguir a clareza da resolução se torna não impossível, mas consideravelmente difícil. Contudo, como forma de alternativa, a disponibilização governamental de oportunidades de empregos e a distribuição igualitária de renda, alimentos e moradias seriam a melhor forma de enfrentamento à problemas tão assustadores e incabíveis a um país tão vasto e rico como a fome no Brasil.